Autor: Redação

  • Master: Pressão política sobre BC foi sem precedentes, relataram técnicos a investigadores

    Master: Pressão política sobre BC foi sem precedentes, relataram técnicos a investigadores

    Ao longo da investigação que levou à prisão do CEO do Banco Master, Daniel Vorcaro e outros seis alvos na Operação Compliance Zero, técnicos do Banco Central relataram à Polícia Federal (PF) e ao Ministério Público que nunca tinham sofrido tamanha pressão política em favor de uma instituição financeira como a sofrida para tentar salvar o Master – primeiro aprovando a compra pelo BRB, vetada pelo BC em setembro, e depois para adiar a intervenção e dar chance para uma nova oferta, mesmo que inviável.

    O lobby foi detalhado aos investigadores por quadros experientes da instituição, que já lidaram com várias outras tratativas e litígios no setor financeiro. Nada comparado à trama do Master, garantem. Após a deflagração das diligências da PF, o BC determinou a liquidação extrajudicial do banco de Vorcaro, que terá como consequência o maior resgate da história do FGC.

    De acordo com um investigador, o decreto de liquidação do Master já estava escrito bem antes da operação da PF, mas a direção do BC só efetivou providência depois da ação para se blindar da pressão.

    Como mostramos no blog ainda em julho, as irregularidades constatadas pelo BC na operação entre Master e BRB já haviam provocado um racha entre as diretorias diretamente envolvidas no caso. À época, já havia fortes indícios de que os créditos bilionários adquiridos pelo Banco de Brasília não tinham lastro.

    Uma minuta de intervenção no primeiro banco chegou a ser elaborada, mas jamais se concretizou. A proposta foi costurada por Renato Gomes, diretor de Organização do Sistema Financeiro, que contava com o endosso do colega Gilneu Vivan (Regulação) – mas, de acordo com fontes ligadas ao caso, contou com a oposição do diretor de Fiscalização, Aílton Aquino.

    Em paralelo, o lobby também funcionava no Congresso.

    Após o anúncio da compra do Master pelo BRB no início do ano, o que surpreendeu o meio político e o mercado, senadores tentaram emplacar uma CPI Mista para apurar as circunstâncias da compra do Master pelo BRB.

    O requerimento, encabeçado por Izalci Lucas (PL-DF), atingiu o mínimo de assinaturas exigido para a instalação da comissão. No entanto, o pedido foi abruptamente retirado pelo próprio parlamentar sem maiores explicações.

    Izalci se limitou a dizer que propôs a criação da CPI em função de dúvidas sobre o processo de aquisição do Master que teriam sido sanadas por meio de documentos supostamente fornecidos pelos dois bancos e que levar o colegiado adiante traria “preocupação” e “instabilidade” no mercado financeiro.

    “Quero aqui agradecer aos parlamentares, porque grande parte deles talvez tenha assinado também, em função da credibilidade e do conhecimento que temos da matéria. Tenho aqui já alguns relatórios, tanto do BRB como do Banco Master, e quero tranquilizar [os colegas]”, declarou durante discurso no Senado.

    Como publicamos no blog, o principal articulador contra a CPI do Master foi o senador Ciro Nogueira (PI), presidente nacional do PP e aliado próximo de Vorcaro. Ciro sempre negou ter operado para derrubar a comissão.

    Nos bastidores, ele é tido como líder da chamada “bancada do Master”, o que incluiria outros parlamentares alinhados aos interesses de Vorcaro. O PP deve formalizar até o fim do ano uma federação partidária com o União Brasil, partido que impulsionou aportes de governos estaduais e municipais em letras financeiras do Master e é presidido por Antonio Rueda, que também é próximo do CEO do banco preso pela PF.

    Não foi a única vez em que Ciro Nogueira atuou a favor do aliado.

    Em 2024, quando o BRB já estava adquirindo carteiras de crédito do Master mas antes das tratativas de compra serem formalizadas, Ciro já havia patrocinado no Senado a inclusão de um dispositivo na PEC da autonomia financeira do Banco Central que aumentaria de R$ 250 mil para R$ 1 milhão a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) para as aplicações financeiras como o CDB, principal produto do Master.

    A associação com os interesses do banco foi imediata, e a proposição ganhou o apelido de “emenda Master”. Acabou rejeitada pelo relator da matéria, Plínio Valério (PSDB-AM).

    A mobilização ocorreu pouco mais de um mês após a equipe da coluna revelar que a cúpula da Caixa Econômica destituiu dois gerentes que se opuseram à compra de um lote de R$ 500 milhões em letras financeiras do Banco Master, consideradas arriscadas demais para os padrões do banco.

    Um parecer sigiloso da área de renda fixa da Caixa Asset, o braço de gestão de ativos da estatal, desaconselhou enfaticamente a operação, considerada “atípica” e “arriscada”, não só em razão do valor, considerado alto demais, como por causa do rating do Master. Com a repercussão do caso, a operação acabou não avançando.

  • O imperador Alexandre o grande: Por que toda classe política e parte importante da sociedade ficam de joelhos para o ministro fazer o que quiser, rasgando a contituição Brasileira a todo momento?

    O imperador Alexandre o grande: Por que toda classe política e parte importante da sociedade ficam de joelhos para o ministro fazer o que quiser, rasgando a contituição Brasileira a todo momento?

    Contexto das Decisões do Ministro Alexandre de Moraes

    O Ministro Alexandre de Moraes, integrante do Supremo Tribunal Federal (STF) desde 2017, tem desempenhado um papel significativo na relação entre o judiciário e a política brasileira. Graduado em direito e com um histórico que inclui funções como secretário da Segurança Pública de São Paulo e advogado-geral da União, Moraes traz uma perspectiva que combina sua formação acadêmica com experiências práticas no campo do direito e da administração pública.

    Suas decisões têm gerado ampla discussão e divisões de opinião, especialmente em um contexto político polarizado. A sua atuação em casos que envolvem figuras políticas proeminentes, como o ex-presidente Jair Bolsonaro, levanta questões sobre a independência do judiciário e os limites da ação judicial em cenários de crise. Decisões notórias do ministro, inclusive aquelas relacionadas a investigações de desinformação e atos antidemocráticos, foram vistas por alguns setores como necessárias para a salvaguarda da democracia, enquanto outros expressaram preocupações sobre a judicialização da política e a possível quebra da imparcialidade do STF.

    Um exemplo claro desse dilema ocorreu quando Moraes foi responsável por autorizar operações de busca e apreensão contra aliados de Bolsonaro, fazer valer investigações relacionadas às redes sociais e coibir a disseminação de informações falsas. Tais ações, embora justificadas sob o prisma da defesa da ordem democrática, foram interpretadas por críticos como uma tentativa de silenciar vozes divergentes e potencialmente uma afronta à liberdade de expressão. O impacto dessas decisões não se limita ao âmbito jurídico, estendendo-se à percepção pública acerca da legitimidade do judiciário e da figura do próprio Moraes, que se torna um símbolo das tensões entre instituições no Brasil contemporâneo.

    Análise das Alegações de Golpe e Violação da Constituição

    A atuação do Ministro Alexandre de Moraes tem gerado intensos debates sobre possíveis alegações de golpe e violação da Constituição Brasileira. Críticos apontam que algumas decisões proferidas pelo ministro extrapolam os limites do poder judiciário, infringindo princípios constitucionais fundamentais, como o devido processo legal e a separação dos poderes. A análise deste cenário revela uma preocupação crescente entre juristas e especialistas sobre a manutenção do estado democrático de direito no Brasil.

    Os opositores das ações de Moraes argumentam que sua postura rigorosa em relação a figuras políticas contrárias ao governo federal ressoa com um uso excessivo do poder, o que poderia ser interpretado como uma forma de repressão política. A argumentação é de que, ao direcionar investigações e impor sanções, Moraes não apenas infringe os direitos individuais dos investigados, mas também distorce o equilíbrio entre os Poderes, comprometendo a independência do Legislativo e do Executivo. Essas alegações se fundamentam na interpretação de que a Constituição deve prevalecer acima de interesses políticos e que qualquer tentativa de contenção de liberdades deve ser justificada de forma robusta e legal.

    Especialistas em direito constitucional têm se posicionado em relação a essas preocupações. Alguns defendem a tese de que o papel do Supremo Tribunal Federal (STF) é essencial para garantir a ordem democrática, enquanto outros alertam sobre os riscos de uma judicialização excessiva da política. O debate sobre a legalidade e moralidade das decisões de Moraes se intensifica à medida que grupos da sociedade civil também se mobilizam, levantando questões sobre a legitimidade das intervenções do ministro. Dessa forma, o cenário político atual se torna um campo fértil para a proliferação de narrativas sobre uma possível trama golpista, evidenciando as tensões entre os direitos individuais e a segurança do Estado.

    O Caso Jair Bolsonaro: Uma Investigação das Acusações

    No âmbito das investigações que cercam o ex-presidente Jair Bolsonaro, é crucial analisar as alegações que têm sido levantadas contra ele, especialmente à luz das decisões do Ministro Alexandre de Moraes. As acusações variam desde a tranqüilidade na administração do governo até possíveis envolvimentos em atividades que configuram distúrbios à ordem democrática. Em meio a esse contexto, os atos de Moraes têm sido vistos como uma tentativa de garantir a investigação, gerando um debate robusto sobre seus limites e a legalidade das ações.

    A primeira linha de alegações contra Bolsonaro surgiu após sua administração, durante a qual críticos apontaram que suas declarações públicas e decisões políticas poderiam incitar conflitos ou ações golpistas. A conexão entre suas falas e o clima de polarização política foi amplamente discutida. Defensores de Bolsonaro afirmam que estas são tentativas de silenciamento político e, por isso, são categorizadas como perseguições judiciais, cujo propósito seria desestabilizar sua figura política e a base de apoio. Além disso, algumas denúncias fazem alusão ao tratamento dispensado a adversários políticos, refletindo uma tensa relação entre governantes e o judiciário.

    Com relação à defesa de Bolsonaro, é importante notar que, segundo seus advogados, ele sempre atuou dentro dos limites da lei e que as alegações são infundadas. Em depoimentos, políticos e juristas conferem uma perspectiva preocupante sobre como as ações judiciais estão moldando a política nacional. Eles argumentam que a utilização de instrumentos legais contra um líder político pode, na verdade, agravar as tensões no cenário eleitoral e democraticamente sensível do Brasil. Essa situação sublinha a complexidade das investigações e o impacto duradouro que as decisões judiciais podem ter na visão pública e na trajetória política do ex-presidente.

    Implicações para a Democracia e o Futuro da Justiça no Brasil

    A análise das decisões do Ministro Alexandre de Moraes e suas repercussões na atual conjuntura política do Brasil revela importantes implicações para a democracia e o funcionamento do sistema judiciário. As ações e determinações tomadas por Moraes, especialmente em casos de alta visibilidade relacionados ao ex-presidente Jair Bolsonaro, suscitam debates acalorados sobre a autonomia do Supremo Tribunal Federal (STF) e a preservação dos princípios democráticos. Em um contexto onde a confiança do cidadão nas instituições está em constante avaliação, é fundamental considerar como tais decisões impactam a percepção pública do judiciário.

    Um dos principais riscos observados é a potencial perda de confiança nas instituições democráticas. Quando os cidadãos percebem decisões judiciais como politicamente motivadas ou tendenciosas, a legitimidade de todo o sistema judiciário pode ser questionada. Essa desconfiança pode se manifestar não apenas em retóricas antiestablishment, mas também em um aumento das tensões sociais, colocando em risco a coesão e a estabilidade da sociedade brasileira. A crise de credibilidade no STF, por vezes vista como um defensor inabalável da Constituição, pode resultar em consequências devastadoras para a democracia, levando a uma possível erosão dos direitos civis e das garantias individuais.

    Além disso, é vital refletir sobre as consequências a longo prazo de uma politicização mais intensa do judiciário. Se as cortes forem percebidas como instrumentos a serviço de agendas políticas específicas, o seu papel fundamental de proteção dos direitos e garantias democráticas poderá ser comprometido. Portanto, a necessidade de reavaliar os limites da atuação do STF e estabelecer um compromisso com a imparcialidade torna-se cada vez mais urgente. A reestabelecimento de um equilíbrio saudável entre os poderes da República é essencial para a preservação da democracia no Brasil e para garantir um futuro em que a justiça seja verdadeiramente soberana, sem influências externas.

  • “Patético”, diz Nikolas após Moraes pedir explicação sobre uso de celular

    “Patético”, diz Nikolas após Moraes pedir explicação sobre uso de celular

    O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) se pronunciou após o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), pedir explicações à defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), sobre o parlamentar ter utilizado o celular quando foi visitar o ex-chefe do Executivo.

    Nikolas visitou o ex-presidente no dia 21 de novembro, quando Bolsonaro ainda cumpria prisão domiciliar. Na ocasião, segundo Moraes, o deputado utilizou o aparelho durante a visita “apesar da expressa proibição judicial”.

    Em decisão de 11/11/2025, autorizei a visita do Deputado Federal Nikolas Ferreira ao réu Jair Messias Bolsonaro, à época em cumprimento de prisão domiciliar, no dia 21/11/2025, ressaltando que, todas as visitas devem observar as determinações legais e judiciais anteriormente fixadas”, disse o ministro na decisão.

  • Donald Trump comenta prisão de Bolsonaro: ‘Não estava sabendo. É uma pena’

    Donald Trump comenta prisão de Bolsonaro: ‘Não estava sabendo. É uma pena’

    O presidente americano Donald Trump falou pela primeira vez sobre a prisão de Jair Bolsonaro (PL), preso na sede da Polícia Federal de Brasília depois de tentar violar sua tornozeleira eletrônica na madrugada deste sábado, 22. Questionado pela imprensa sobre o caso, Trump disse que não tinha conhecimento da prisão do ex-presidente. “Não estava sabendo de nada disso. Foi isso o que aconteceu? Acho que é uma pena”, respondeu ele.

    Até o momento, não se sabe se Trump tomará novas medidas contra o Brasil em nome de Bolsonaro. Em julho, o presidente americano impôs uma série de tarifas a produtos brasileiros alegando, entre outras coisas, que o ex-presidente estaria sofrendo uma suposta perseguição política. Ele também impôs medidas restritivas contra ministros do STF, em especial Alexandre de Moraes, com o incentivo de Eduardo Bolsonaro, que se autoexilou no pais. Nos últimos dias, no entanto, depois de conversas com o presidente Lula (PT), o líder americano retirou as taxas de uma parcela dos produtos agrícolas brasileiros, incluindo carne e café.

  • A pedido da PF, STF decreta prisão preventiva de Jair Bolsonaro, vergonha!

    A pedido da PF, STF decreta prisão preventiva de Jair Bolsonaro, vergonha!

    O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, decretou neste sábado (22) a prisão preventiva do ex-presidente da República Jair Messias Bolsonaro. A medida, tomada no âmbito da Petição (Pet) 14129, substitui a prisão domiciliar anteriormente imposta e foi motivada por novos elementos que indicam risco concreto de fuga e ameaça à ordem pública, especialmente diante da iminência do trânsito em julgado da condenação na Ação Penal (AP) 2668. Ele deve ser recolhido na Superintendência Regional da Polícia Federal no Distrito Federal, onde passará por audiência de custódia neste domingo (23).

    A decisão será submetida a referendo da Primeira Turma do STF em sessão virtual extraordinária convocada para segunda-feira (24/11), das 8h às 20h, pelo ministro Flávio Dino, presidente do colegiado.

    Fundamentos da decisão

    Segundo o ministro relator, a decisão baseou-se em fatos novos apresentados pela Polícia Federal, corroborados pela manifestação da Procuradoria-Geral da República, que apontam: risco iminente de fuga a partir de ocorrência de violação do equipamento de monitoramento eletrônico (tornozeleira) à 0h08min do dia 22/11, indicando tentativa de rompimento do dispositivo.

    Na decisão, o relator ainda apontou a possibilidade de deslocamento para embaixadas próximas à residência, considerando que as investigações revelaram um antecedente de planejamento de pedido de asilo em representação diplomática.

    Citou, ainda, recente fuga de outros réus e aliados políticos, indicando a adoção de estratégia semelhante por outros integrantes do mesmo núcleo investigado.

    O ministro ressaltou tentativa de obstrução e fiscalização da prisão domiciliar a partir de convocação  pública para uma vigília nas proximidades da residência de Bolsonaro, feita por parlamentar e familiar do réu, com potencial de gerar aglomeração de apoiadores e dificultar o cumprimento das medidas cautelares. Essa mobilização seria um possível meio para dificultar ações de fiscalização e permitir eventual fuga, reproduzindo estratégias anteriormente identificadas na investigação de atos antidemocráticos.

    O ministro destacou ainda  que Bolsonaro já havia violado medidas anteriormente impostas, incluindo o uso indevido de redes sociais e condutas que contrariavam regras da prisão domiciliar.

    Garantia da ordem pública e da aplicação da lei penal

    Diante da proximidade do trânsito em julgado da condenação a 27 anos e 3 meses de reclusão, o STF considerou que a manutenção da prisão domiciliar não era capaz de neutralizar o risco de manter o réu em prisão domiciliar, mesmo com o uso de monitoramento eletrônico e acompanhamento policial permanente.

    Determinações complementares

    A decisão determinou o cumprimento do mandado de prisão pela Polícia Federal no período da manhã do dia 22/11, sem algemas e sem exposição midiática. A audiência de custódia será por videoconferência neste domingo (23/11). 

    Confira as medidas determinadas:

    • Atendimento médico permanente ao custodiado.

    • Necessidade de autorização prévia do STF para quaisquer visitas, exceto advogados e equipe médica.

    • Cancelamento das autorizações de visitas concedidas no âmbito da AP 2668.

    Diante da decretação da prisão preventiva, o ministro julgou prejudicados os pedidos de concessão de prisão domiciliar humanitária e autorização de visitas formulados nesta sexta-feira (21).

  • TCE multa Emanuel e abre (mais uma) investigação por rombo de R$ 228 mi

    TCE multa Emanuel e abre (mais uma) investigação por rombo de R$ 228 mi

    O ex-prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro (MDB), foi multado pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT) em uma investigação que apura o acúmulo de dívidas federais no valor de mais de R$ 228 milhões, decorrentes da falta de repasse de encargos como INSS, FGTS e IRRF.

    A decisão é do conselheiro Valter Albano e foi publicada no Diário Oficial de Contas na quinta-feira (28). A representação foi feita pelos vereadores Demilson Nogueira (PP) e Fellipe Correa (PL).

    Segundo a decisão do conselheiro, o ex-prefeito cometeu uma falha grave ao realizar o parcelamento dessas dívidas. Ele não obteve os pareceres técnicos obrigatórios da Controladoria do município, como exige a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).

    A decisão determinou ainda a abertura de uma Tomada de Contas para investigar se o não repasse desses valores causou prejuízo aos cofres públicos. Além disso, a investigação visa identificar os responsáveis.

    A Prefeitura terá um prazo de 30 dias para formalizar a abertura de um processo interno de investigação e até 120 dias para finalizá-la e enviar o dossiê com os resultados para o TCE.

    Consequências a Emanuel

    A multa aplicada na decisão de Albano a Emanuel foi de cerca de R$ 1,5 mil. Entretanto, caso seja comprovada irregularidades após a investigação, ele pode ser multado novamente e o valor pode ser maior do que a multa inicial.

    Além disso, Emanuel pode ser obrigado a devolver os valores que, segundo a investigação, foram desviados ou causaram prejuízo aos cofres públicos.

    O TCE pode também declarar Emanuel como inelegível, decisão que pode servir como base para o Ministério Público Estadual (MPE) entrar com uma ação por improbidade administrativa.

  • STF nega recurso de Emanuel e mantém a CPI das Fraudes Fiscais

    STF nega recurso de Emanuel e mantém a CPI das Fraudes Fiscais

    O Supremo Tribunal Federal (STF) negou recurso do ex-prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro (PSD), e manteve os trabalhos da CPI das Fraudes Fiscais da Câmara Municipal.

    A decisão é assinada pelo ministro Dias Toffoli e foi publicada nesta quarta-feira (15).

    Este já é o terceiro revés de Emanuel na Justiça em relação ao tema. Ele teve derrotas na 4ª Vara da Fazenda Pública de Cuiabá e também no Tribunal de Justiça de Mato Grosso.

    A comissão parlamentar, presidida pela vereadora Michelly Alencar (União), investiga possíveis irregularidades na gestão financeira do município durante o mandato de Emanuel (2017–2024). Também participam os vereadores Daniel Monteiro (Republicanos), como relator, e Kássio Coelho (Podemos), como membro.

    No recurso, Emanuel alegou que a comissão foi instaurada de forma ilegal e genérica, sem um fato determinado que justificasse a investigação. Segundo ele, o objeto da CPI , que cita termos como “fraudes fiscais”, “desvio de recursos” e “superfaturamento” — seria amplo e impreciso, o que configuraria uma “fishing expedition”, ou seja, uma investigação aberta e sem foco definido.

    O ex-prefeito também sustentou que a prorrogação dos trabalhos da CPI foi nula, já que a resolução que a estendeu foi publicada apenas em 8 de setembro de 2025, quase dois meses após o fim do prazo original, em 12 de julho. De acordo com o Regimento Interno da Câmara, publicações desse tipo devem ocorrer em até 48 horas.

    Além disso, Emanuel afirmou que houve desvio de finalidade e abuso de poder, porque a CPI teria ficado paralisada por 120 dias, sem realizar audiências, oitivas ou diligências, o que violaria os princípios da eficiência e da duração razoável do processo previstos na Constituição.

    Na decisão, Dias Toffoli entendeu que o pedido não poderia ser analisado pelo STF, porque o processo ainda não esgotou as instâncias ordinárias, ou seja, ainda está em trâmite no Judiciário estadual.

    O ministro destacou que o Tribunal de Justiça atuou dentro da competência ao manter o indeferimento da liminar pedida por Emanuel e determinar que o caso siga para produção de provas.

    Toffoli ressaltou que não há “situação excepcional” que justifique a intervenção imediata do Supremo e observou que a CPI tem, sim, um fato determinado, com limites temporais e materiais definidos (investigação de irregularidades na gestão financeira até 2024).

    O ministro, também, alertou que a reclamação não pode ser usada de forma preventiva, isto é, para tentar evitar atos futuros de uma CPI e advertiu o ex-prefeito de que poderá sofrer multa processual se recorrer de forma indevida.

    “Assento, assim, que o pedido formulado por Emanuel Pinheiro para que seja proferida decisão para determinar a “suspensão dos atos da CPI das Fraudes Fiscais” configura uso da reclamação com caráter preventivo, o que não se admite”, escreveu.