O delegado Pablo Carneiro, que deu voz de prisão ao médico residente (no detalhe) O delegado Pablo Carneiro, da Delegacia de Estelionatos de Cuiabá, deu voz de prisão, nesta quarta-feira (19), ao médico residente Gilmar Silvestre de Lima durante uma consulta no Hospital HBento, na Capital. Ele acusou o profissional de se passar irregularmente por anestesista. Segundo o delegado, ele havia ido à unidade de saúde para uma consulta médica pessoal, quando estranhou o fato de ser atendido por Gilmar, já que o agendamento informado a ele indicava que o atendimento seria conduzido por uma mulher. Ainda durante a consulta, conforme o delegado, o médico se apresentou, realizou o atendimento e preencheu os formulários como se fosse um anestesista, mesmo sem possuir a especialização “Ele fazia toda a anamnese [entrevista com o paciente para coleta de informações], realizava exames e assinava a ficha tanto no campo de responsabilidades quanto no campo destinado ao anestesista. Só que não carimbava”, afirmou Carneiro. Desconfiado da situação, o delegado disse que analisou o registro profissional de médico e constatou que ele não possuía especialização para se apresentar como anestesista, já que era apenas médico residente do hospital. Diante da situação, o delegado deu voz de prisão ao profissional. “Quando consultei o site do Conselho de Medicina, vi que ele não tem especialidade registrada e fui informado de que ainda está cursando a residência. Ele não poderia se apresentar, em nenhum momento, como anestesista de fato”, relatou o delegado. Gilmar é formado em Medicina pela Universidad de Aquino, em La Paz (Bolívia), com revalidação feita pela Universidade de Brasília (UnB). A apresentação como especialista sem formação é considerada irregular. Segundo o Conselho Federal de Medicina (CFM), o médico só pode se anunciar como especialista após a conclusão da residência e/ou aprovação na prova de título, conforme o Decreto Regulamentar nº 8.516/2016. O médico foi encaminhado a uma delegacia de Polícia e liberado em seguida. Já a médica que conduziria a consulta, não estava na unidade de saúde no momento da abordagem.
Autor: Redação

Lula indica Messias ao STF na vaga de Barroso, consolida opção por nomes de confiança e precisará convencer Alcolumbre
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva indicou o advogado-geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal (STF) na vaga aberta com a aposentadoria de Luís Roberto Barroso. A informação foi confirmada pelo Palácio do Planalto. “O presidente Luiz Inácio Lula da Silva indicou nesta quinta-feira, 20 de novembro, o nome do Advogado-Geral da União, Jorge Messias, para exercer o cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal, na vaga deixada pelo ex-ministro Luís Roberto Barroso. A oficialização da indicação será publicada em edição extra do Diário Oficial da União”, diz nota do Palácio do Planalto. A escolha consolida a opção por nomes de estrita confiança para a Corte, a exemplo de Cristiano Zanin e Flávio Dino, os outros nomes indicados por Lula neste terceiro mandato. Com Messias, o presidente também faz um gesto aos evangélicos, segmento no qual enfrenta mais rejeição, segundo pesquisas. Caberá ao Senado aprovar o nome de Messias. O preferido do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para a vaga era o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), com quem Lula teve uma conversa nesta semana. A preocupação com a votação cresceu depois que o procurador-geral da República, Paulo Gonet, foi reconduzido na semana passada por margem estreita — apenas quatro votos acima do mínimo necessário. Nos bastidores, líderes da base admitem que só evitaram uma derrota inédita graças a uma operação emergencial que arrancou dois votos da oposição e contou com a articulação direta de Alcolumbre para manter o quórum alto em uma semana de esvaziamento. Após perder a disputa para Flávio Dino, Messias virou o jogo, se reposicionou no grupo círculo mais próximo ao presidente e se tornou, desde o início da corrida pelo posto, o favorito para terceira escolha de Lula à Corte neste mandato. Afilhado político da ex-presidente Dilma Rousseff, Jorge Messias percorreu uma trajetória política alinhada ao PT e ao governo. Na descrição de pessoas próximas, foi a lealdade ao partido mesmo nos momentos mais difíceis, ainda que não seja filiado, e a conduta junto a Lula que o cacifaram para a vaga de Luís Roberto Barroso. Desde que retornou ao Palácio do Planalto, Lula adotou como parâmetro principal para indicações na Corte a relação de confiança e proximidade. Foram esses os fatores determinantes para Zanin e Dino. Com a indicação do advogado-geral da União, Lula nomeou cinco dos 11 titulares da Corte ao longo dos seus três mandatos: Cristiano Zanin, Flávio Dino, Cármen Lúcia e Dias Toffoli. Já testado no entorno presidencial, o traquejo político de Messias será posto à prova novamente a partir de agora, quando o ministro passará a buscar apoios no Senado para aprovação do seu nome. Ainda que o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) tenha sido o nome favorito da Casa, o governo avalia que não haverá problemas no referendo a Messias. O indicado por Lula precisa ser sabatinado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado e ter o nome aprovado pelo plenário principal da Casa. São necessários, pelo menos, 41 votos para a aprovação. Ao assumir o comando da defesa do governo federal na Corte e coordenar as estratégias jurídicas da gestão petista, Messias deu um caráter mais político à AGU e passou a integrar o grupo de ministros que ajudou a costurar soluções para os principais conflitos do governo. Enquanto advogado-geral, Messias se tornou o principal interlocutor de Lula no Supremo, com trânsito entre os 11 ministros. No final de 2023, foi um dos responsáveis por aproximar Lula e Barroso, quando o magistrado assumiu o comando da Corte. Na época, Messias e o ministro Cristiano Zanin trabalharam para que Lula e Barroso deixassem para trás as rusgas do passado. À frente da AGU, Messias também se aproximou dos ministros Nunes Marques e André Mendonça, dois indicados pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. Único ministro evangélico de Lula, Messias é visto dentro do governo como um ativo na aproximação com esse público religioso, o que inclui a participação nas Marchas para Jesus — em uma delas, chegou a ser vaiado ao citar o nome de Lula. Em setembro, conseguiu convencer Lula a dar entrevista ao podcast Papo de Crente ao lado da primeira-dama, Janja da Silva. Como principal interlocutor junto ao segmento, Messias vinha sendo escalado para estar presente em cerimônias mais importantes e receber pessoas ligadas às igrejas. O indicado de Lula à Corte frequenta a Igreja Batista Cristã em Brasília. No ano passado, foi chamado pelo PT para uma série de vídeos da Fundação Perseu Abramo, com o mote “O que pensam os evangélicos petistas”. Nos vídeos, defendeu que a laicidade do Estado é o que “garante que minha fé seja exercida com tranquilidade”. O período de maior desgaste de Messias no cargo ocorreu após ter sido preterido por Lula na disputa pela vaga de Rosa Weber em 2023. Na época, Lula chamou os dois auxiliares para anunciar que estava enviando o nome de Dino à Corte. No entorno do presidente, houve uma avaliação de que Messias reagiu mal. Ao longo do ano passado, esse comportamento irritou Lula, e aliados chegaram a afirmar que Messias não teria possibilidade de ser escolhido para uma eventual outra vaga na Corte. A escolha contrariou interesses de alas do PT e de advogados que fizeram ampla campanha favorável ao chefe da AGU. Na época, Messias chegou a se reunir com a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e em um jantar com Movimento Sem-Terra, em São Paulo, o que foi interpretado como movimentos pela vaga de Rosa Weber. Ao entrar pela segunda vez na disputa por uma vaga no STF, Messias inverteu a estratégia de 2023 e se manteve mais discreto. Manteve a agenda como ministro da AGU e evitou tratar do assunto até mesmo com auxiliares mais próximos. Pessoas próximas ao ministro viram na postura de Messias um gesto para não constranger o presidente nem afetar a relação com ele, na hipótese de uma segunda rejeição. O comportamento de Messias também envolveu o temor de ser mal interpretado e de dar qualquer sinal a Lula de que estava em campanha pela vaga. Em paralelo, Messias virou o jogo nos últimos meses ao atuar em dois dos temas mais sensíveis para o Palácio do Planalto em 2025. O ministro da AGU criou grupo de trabalho que deu solução a crise das fraudes em descontos de aposentados e pensionistas do INSS e construiu o acordo com STF e viabilizar ressarcimento dos beneficiários lesados. Também coube a Messias a contratação de um escritório de advocacia nos Estados Unidos para contestar as tarifas impostas por Donald Trump. Messias agiu ainda para reconstruir sua relação com Janja. No começo do mandato de Lula, integrou o grupo de auxiliares presidenciais que desaconselhou o petista a criar um gabinete próprio para ela, sob o argumento de que a estrutura viraria alvo da oposição e ponto de desgaste para o presidente. A postura o distanciou da primeira-dama até que Messias, em março deste ano, passou a compor um “bunker” de proteção a Janja. Na época, a primeira-dama era alvo preferencial de ataques da oposição, motivo pelo qual o governo montou um grupo informal para tentar blindá-la e oferecer uma estratégia jurídica e política. Saiu da AGU um parecer que prevê os limites da atuação do cônjuge do presidente em viagens e cerimônias nas quais represente o governo. Pessoas próximas a primeira-dama afirmam que a Janja reconheceu o gesto de Messias para proteger sua atuação. Pernambucano de Recife, Messias viveu em Teresina e há duas décadas mora em Brasília. Formado em Direito pela Faculdade de Direito do Recife (UFPE), é mestre e doutor pela Universidade de Brasília (UnB), onde pesquisou compras governamentais e a AGU. Messias chegou ao círculo mais próximo de Lula pelas mãos da ex-presidente Dilma Rousseff, do presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, e do líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA). É considerado por caciques petistas um quadro fiel ao partido e que não abandonou a legenda nem mesmo nos momentos mais difíceis. Servidor público de carreira, Messias foi procurador do Banco Central e procurador da Fazenda Nacional. Ao se envolver no movimento sindical das carreiras da AGU, atuou no Ministério da Educação, na gestão de Mercadante, onde foi secretário de Regulação. Foi nesse período que passou a se aproximar de dirigentes do PT. No governo Dilma, foi subchefe de Assuntos Jurídicos e trabalhava com a ex-presidente em um dos momentos mais delicados do PT no Palácio do Planalto. Na época, teve seu nome nacionalmente exposto por uma interceptação telefônica divulgada na Lava Jato, em uma conversa entre Lula e Dilma, em março de 2016. Na ocasião, Dilma avisou a Lula que enviaria, por meio de “Bessias”, um termo de posse para que ele assinasse e, assim, se tornasse ministro da Casa Civil. A interceptação foi captada depois que o então juiz Sergio Moro havia mandado as operadoras de telefonia interromperem as gravações, o que levou à sua divulgação ser considerada ilegal pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Dentro do governo, construiu uma relação próxima com a ministra da Gestão, Esther Dweck, e com o ministro do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira. Também tem entre seus principais aliados os ministros da Casa Civil, Rui Costa, da Fazenda, Fernando Haddad, e a ministra de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann.

EUA retiram tarifas de 40% de café, carnes e outros produtos do Brasil
Os EUA anunciaram nesta quinta-feira (21) a retirada da tarifa de 40% de alguns produtos brasileiros. A decisão foi publicada pela Casa Branca. A seleção inclui carne bovina, café, açaí, cacau e diversos outros produtos. São 249 itens que foram acrescentados à lista de exceções do tarifaço. Na semana passada, os Estados Unidos já haviam reduzido as tarifas de importação de cerca de 200 produtos alimentícios, incluindo café, carne, açaí e manga. Para o Brasil, as taxas haviam caído de 50% para 40%.
Ao contrário da ordem executiva da semana passada, que era global, a decisão de hoje se aplica somente ao Brasil. Na ordem desta quinta, Trump citou a conversa com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no início de outubro, e escreveu que a retirada das tarifas é consequência das negociações entre o governo brasileiro e o norte-americano. “Em 6 de outubro de 2025, participei de uma conversa telefônica com o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, durante a qual concordamos em iniciar negociações para abordar as preocupações identificadas no Decreto Executivo 14323. Essas negociações estão em andamento.” “Também recebi informações e recomendações adicionais de diversos funcionários […] em sua opinião, certas importações agrícolas do Brasil não deveriam mais estar sujeitas à alíquota adicional […] porque, entre outras considerações relevantes, houve progresso inicial nas negociações com o Governo do Brasil.” A decisão é válida para produtos que entraram nos Estados Unidos a partir de 13 de novembro. A retirada de taxas do café e da carne, especificamente, representam um alívio para exportadores desses protudos. Os Estados Unidos são o principal comprador de café do Brasil e respondem por cerca de 16% de tudo o que o país exporta, segundo o Ministério da Agricultura. Segundo o Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil), com o tarifaço, as importações americanas de café brasileiro caíram pela metade (51,5%) entre agosto e outubro – meses de vigência da taxa de 50% –, em relação ao mesmo período de 2024.

Em 30 dias ministro Gilmar Mendes concedeu 21 habeas corpus para presos da operação lava-jato. Ministro passa óleo de peróba na cara e não pode por o pé nas ruas que é hostilizado.
Em pouco mais de um mês, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federa (STF), determinou, a cada dois dias, a soltura de um investigado em operações decorrentes da Lava Jato. De 15 de maio a 25 de junho, Gilmar atendeu a 23 pedidos de liberdade a suspeitos presos pela Polícia Federal por solicitação do Ministério Público e determinação da Justiça. Duas pessoas foram libertadas duas vezes. Entre elas, o ex-diretor da Desenvolvimento Rodoviário S/A (Dersa) Paulo Vieira de Souza, apontado como operador de propinas do PSDB pelo grupo de trabalho da Lava Jato em São Paulo. Ao libertar os investigados, o ministro estabeleceu medidas cautelares, como a proibição de manter contato com outros investigados e de sair do país, com a apreensão dos passaportes. Entre 15 de maio e 4 de junho, Gilmar concedeu habeas corpus a 19 pessoas que haviam sido presas em desdobramentos da Lava Jato. Todas as prisões haviam sido autorizadas pelo juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Criminal Federal do Rio de Janeiro. À época, o juiz afirmou, em ofício encaminhado ao STF, que “casos de corrupção e delitos relacionados não podem ser tratados como crimes menores, pois a gravidade de ilícitos penais não deve ser medida apenas sob o enfoque da violência física imediata”. Nessa segunda-feira (25), após audiência com investigados na Operação Unfair Play, derivada da Lava Jato, Bretas disse que não se sente frustrado pelas decisões do ministro. “Eu não me sinto frustrado. Me sinto feliz, porque o Judiciário está funcionando. Não tenho o que reclamar. É uma questão de hierarquia”, disse.

Anthropic Investirá US$ 50 Bilhões para Construir Data Centers nos EUA
A startup de IA Anthropic anunciou na última quarta-feira (12) que investirá US$ 50 bilhões na construção de data centers nos Estados Unidos, o mais recente aporte bilionário no setor, em meio à corrida das empresas para expandir sua infraestrutura de inteligência artificial. A empresa por trás dos modelos de IA Claude afirmou que instalará as unidades em parceria com a provedora de infraestrutura Fluidstack no Texas e em Nova York, com mais locais entrando em operação no futuro. Os data centers são construídos sob medida para a Anthropic.
Empresas de tecnologia anunciaram planos de gastos massivos este ano, com muitas delas focando na expansão de sua presença nos EUA, enquanto o presidente Donald Trump pressiona por investimentos em solo norte-americano para manter a vantagem do país no setor de IA. A Anthropic afirmou que o projeto deverá criar cerca de 800 empregos permanentes e 2.400 empregos na construção civil nos EUA, à medida que os centros de dados entrarem em operação ao longo de 2026. A empresa sediada em San Francisco, que conta com o apoio da Alphabet, controladora do Google , e da Amazon.com, foi avaliada em US$183 bilhões no início de setembro. Fundada em 2021 por um grupo de ex-funcionários da OpenAI, a Anthropic atende a mais de 300.000 clientes corporativos. Seus modelos de linguagem de grande porte Claude são amplamente considerados um dos modelos de ponta mais poderosos do mercado.

Tesla Aprova Remuneração Que Pode Tornar Musk o Primeiro Trilionário do Mundo
Na noite da quinta-feira (6), os acionistas da Tesla aprovaram um plano que pode tornar Elon Musk o primeiro trilionário do mundo. Eles votaram a favor de um plano de remuneração de quase US$ 1 trilhão (R$ 5,35 trilhões) de Musk, com 75% de apoio entre as ações com direito a voto. As principais consultorias de voto por procuração, Glass Lewis e ISS, recomendaram o voto contra. Os resultados da votação foram anunciados na quinta-feira, durante a assembleia anual de acionistas da empresa em Austin, Texas. O pacote para Musk, já a pessoa mais rica do mundo com um patrimônio de US$ 491,4 bilhões (R$ 2,63 trilhões) segundo a Forbes, consiste em 12 parcelas de ações a serem concedidas se a Tesla atingir determinadas metas na próxima década. Também daria a Musk maior poder de voto sobre a empresa, atendendo às demandas que ele tem feito publicamente desde o início de 2024. Sua participação aumentaria de cerca de 13% para 25%, adicionando mais de 423 milhões de ações às suas participações. A primeira parcela de ações será paga se a Tesla atingir uma capitalização de mercado de US$ 2 trilhões (R$ 10,7 trilhões). A capitalização de mercado atual da Tesla é de US$ 1,54 trilhão (R$ 8,24 trilhões). As próximas nove parcelas seriam concedidas se o valor da Tesla aumentar em incrementos de US$ 500 bilhões (R$ 2,67 bilhões), até um máximo de US$ 6,5 trilhões (R$ 34,78 trilhões). Musk receberia as duas últimas parcelas se o valor de mercado subir em incrementos de US$ 1 trilhão, o que significa que precisaria atingir US$ 8,5 trilhões (R$ 45,5 trilhões) para que Musk recebesse o pacote completo. “O que estamos prestes a iniciar não é apenas um novo capítulo do futuro da Tesla, mas um livro completamente novo”, disse Musk após agradecer aos acionistas pelo apoio. Outras metas vinculadas ao plano de remuneração incluem atingir 20 milhões de entregas de veículos, 10 milhões de assinaturas ativas do FSD (Full Self-Driving), 1 milhão de robôs entregues e 1 milhão de robotáxis em operação comercial. Até o momento, a Tesla entregou mais de 8 milhões de veículos, de acordo com seu relatório de procuração de setembro. O plano proposto não especifica se as assinaturas do FSD devem ser compradas ou se podem incluir testes gratuitos. Atualmente, a Tesla fornece sistemas de direção parcialmente automatizados, vendidos como “FSD Supervised” nos Estados Unidos. A empresa pretende aprimorar seus sistemas FSD Supervised para que não exijam supervisão humana a bordo. A Tesla estabeleceu uma série de metas de lucros, começando com US$ 50 bilhões (R$ 267,5 bilhões) em lucro ajustado anual e chegando a US$ 400 bilhões (R$ 2,14 trilhões). No terceiro trimestre, a Tesla reportou um EBITDA ajustado de US$ 4,2 bilhões (R$ 22,5 bilhões). Musk ainda poderia faturar dezenas de bilhões de dólares sem atingir a maioria das metas estabelecidas pelo conselho, arrecadando mais de US$ 50 bilhões apenas atingindo algumas das metas mais alcançáveis. Há também uma lista de “eventos cobertos” nos termos da premiação que permitiriam a Musk ganhar ações sem atingir os marcos operacionais exigidos. Os eventos cobertos incluem desastres naturais, guerras, pandemias e mudanças em “leis, regulamentos ou outras ações ou omissões governamentais internacionais, federais, estaduais e locais” que possam prejudicar a capacidade da empresa de projetar, fabricar ou vender seus produtos no futuro. Esperava-se que o plano fosse aprovado. Cerca de meia dúzia de pacotes de ações para executivos semelhantes — embora muito menores — foram submetidos à votação dos acionistas em empresas americanas de capital aberto nos últimos três anos, de acordo com a empresa de solicitação de procurações Georgeson. Todos, exceto um, foram aprovados. Musk também tem se envolvido bastante na política, principalmente trabalhando para levar o presidente Donald Trump de volta à Casa Branca e, em seguida, liderando um amplo esforço para cortar o governo federal no início de seu segundo mandato. Ele provavelmente também contou com o apoio de muitos investidores menores que mantiveram suas ações apesar da queda nos lucros e nas vendas de carros — e também porque a incursão de Musk na política no último ano, em apoio a Trump, alienou muitas pessoas. “Aqueles que afirmam que o plano é ‘grande demais’ ignoram a escala de ambição que historicamente definiu a trajetória da Tesla”, disse o Conselho de Administração do Estado da Flórida em um documento enviado à Securities and Exchange Commission (SEC), equivalente americano da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). No documento, o conselho descreveu por que votou a favor do plano de remuneração de Musk. “Uma empresa que passou da quase falência à liderança global em veículos elétricos e energia limpa sob estruturas semelhantes conquistou o direito de usar modelos de incentivo que recompensam o desempenho excepcional.” Além de liderar a Tesla, Musk dirige a xAI, que se fundiu com a X, lidera a SpaceX e seu negócio de internet via satélite, a Starlink, e é fundador da empresa de interface cérebro-computador Neuralink e da empresa de perfuração de túneis The Boring Company. O plano é estruturado de tal forma que, se Musk ganhar dinheiro, os investidores da empresa também ganham — um ponto que a gestora de fundos Cathie Wood destacou esta semana na plataforma de mídia social X. “Não entendo por que os investidores estão votando contra o pacote de remuneração de Elon, quando eles e seus clientes se beneficiariam enormemente se ele e sua incrível equipe atingissem metas tão ambiciosas”, escreveu Wood, diretora executiva da Ark Invest. Mas os críticos de Musk, incluindo autoridades que supervisionam fundos de pensão públicos em Nova York e na Califórnia, se opuseram veementemente ao plano, alegando que ele concentraria muita riqueza e poder corporativo nas mãos de uma única pessoa. “Isso não é pagamento por desempenho. É pagamento por poder irrestrito”, disse Thomas DiNapoli, supervisor do estado de Nova York. Até o Papa Leão XIV se manifestou, dizendo em uma entrevista ao Crux, um site de notícias católico, que a remuneração de Musk era um sintoma da crescente disparidade entre os trabalhadores e os ricos. O funcionário mediano da Tesla ganhava cerca de US$ 57 mil por ano (R$ 304,9 mil) em 2024, de acordo com um documento da empresa enviado à SEC.

Bolsonaro eleito melhor presidente que o Brasil já teve, segundo pesquisa
É o que diz a parana pesquisa.






