O Banco Central decretou nesta terça-feira, 18, a liquidação extrajudicial do Banco Master, encerrando de imediato o funcionamento da instituição. A decisão, assinada pelo presidente do BC, Gabriel Galípolo, ocorre menos de 24 horas depois de o Grupo Fictor manifestar interesse em adquirir o banco, negociação que, diante do novo regime, não deve mais avançar. Pelo mesmo termo, também foi decretada a liquidação da Master S.A. Corretora de Câmbio. A EFB Regimes Especiais de Empresas foi nomeada como liquidante, com poderes amplos para conduzir a administração e a venda de ativos, bem como responder pelos atos necessários ao processo. A medida vem ao mesmo tempo em que a Polícia Federal prendeu Daniel Vorcaro, dono do Master. A PF vinha investigando o Master com informações repassadas pelo próprio BC. O que é a liquidação de um banco? Entenda situação do banco Master O que é a liquidação de um banco? A liquidação extrajudicial é um regime especial aplicado pelo Banco Central quando uma instituição financeira se mostra insolvente ou com irregularidades graves que comprometem seu funcionamento. Nessa situação, a administração do banco é afastada e um liquidante assume o controle para levantar ativos, pagar credores e encerrar operações. Durante o processo, o FGC pode ser acionado para proteger depositantes e investidores até o limite legal. O banco deixa de operar no SFN e só retoma atividades se o BC assim determinar, ou passa à falência, caso não haja condições de reestruturação. A liquidação do Master entrou no radar pelo mercado desde setembro, quando o BC negou autorização para que o BRB – Banco de Brasília comprasse a instituição. O modelo de negócios do Master vinha sendo considerado arriscado, especialmente porque o banco emitia títulos cobertos pelo FGC – Fundo Garantidor de Créditos, pagando taxas muito superiores às de mercado – prática que elevava a percepção de risco e acendeu alertas regulatórios. Segundo o jornal Valor Econômico, a intervenção do BC no Master é a maior na história do sistema financeiro. Dados do sistema IFData, do Banco Central, mostram que o Master tinha R$ 62,2 bilhões em depósitos elegíveis à cobertura do FGC em março. Com a medida, o banco é retirado do SFN – Sistema Financeiro Nacional e deixa de operar. A liquidação extrajudicial é aplicada quando se constata que a situação da instituição é irrecuperável ou quando há infrações graves às normas do sistema financeiro. A partir desse momento, cabe ao liquidante levantar e vender ativos para honrar, na medida do possível, os compromissos com credores. O processo também aciona o FGC, mecanismo de proteção a investidores e correntistas. O fundo garante o ressarcimento de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição, caso haja prejuízos aos clientes. Não há prazo definido para o encerramento da liquidação. O procedimento só se conclui com uma nova decisão do Banco Central ou, se for o caso, com a decretação de falência da instituição.
Categoria: Economia

Master: Pressão política sobre BC foi sem precedentes, relataram técnicos a investigadores
Ao longo da investigação que levou à prisão do CEO do Banco Master, Daniel Vorcaro e outros seis alvos na Operação Compliance Zero, técnicos do Banco Central relataram à Polícia Federal (PF) e ao Ministério Público que nunca tinham sofrido tamanha pressão política em favor de uma instituição financeira como a sofrida para tentar salvar o Master – primeiro aprovando a compra pelo BRB, vetada pelo BC em setembro, e depois para adiar a intervenção e dar chance para uma nova oferta, mesmo que inviável.
O lobby foi detalhado aos investigadores por quadros experientes da instituição, que já lidaram com várias outras tratativas e litígios no setor financeiro. Nada comparado à trama do Master, garantem. Após a deflagração das diligências da PF, o BC determinou a liquidação extrajudicial do banco de Vorcaro, que terá como consequência o maior resgate da história do FGC.
De acordo com um investigador, o decreto de liquidação do Master já estava escrito bem antes da operação da PF, mas a direção do BC só efetivou providência depois da ação para se blindar da pressão.
Como mostramos no blog ainda em julho, as irregularidades constatadas pelo BC na operação entre Master e BRB já haviam provocado um racha entre as diretorias diretamente envolvidas no caso. À época, já havia fortes indícios de que os créditos bilionários adquiridos pelo Banco de Brasília não tinham lastro.
Uma minuta de intervenção no primeiro banco chegou a ser elaborada, mas jamais se concretizou. A proposta foi costurada por Renato Gomes, diretor de Organização do Sistema Financeiro, que contava com o endosso do colega Gilneu Vivan (Regulação) – mas, de acordo com fontes ligadas ao caso, contou com a oposição do diretor de Fiscalização, Aílton Aquino.
Em paralelo, o lobby também funcionava no Congresso.
Após o anúncio da compra do Master pelo BRB no início do ano, o que surpreendeu o meio político e o mercado, senadores tentaram emplacar uma CPI Mista para apurar as circunstâncias da compra do Master pelo BRB.
O requerimento, encabeçado por Izalci Lucas (PL-DF), atingiu o mínimo de assinaturas exigido para a instalação da comissão. No entanto, o pedido foi abruptamente retirado pelo próprio parlamentar sem maiores explicações.
Izalci se limitou a dizer que propôs a criação da CPI em função de dúvidas sobre o processo de aquisição do Master que teriam sido sanadas por meio de documentos supostamente fornecidos pelos dois bancos e que levar o colegiado adiante traria “preocupação” e “instabilidade” no mercado financeiro.
“Quero aqui agradecer aos parlamentares, porque grande parte deles talvez tenha assinado também, em função da credibilidade e do conhecimento que temos da matéria. Tenho aqui já alguns relatórios, tanto do BRB como do Banco Master, e quero tranquilizar [os colegas]”, declarou durante discurso no Senado.
Como publicamos no blog, o principal articulador contra a CPI do Master foi o senador Ciro Nogueira (PI), presidente nacional do PP e aliado próximo de Vorcaro. Ciro sempre negou ter operado para derrubar a comissão.
Nos bastidores, ele é tido como líder da chamada “bancada do Master”, o que incluiria outros parlamentares alinhados aos interesses de Vorcaro. O PP deve formalizar até o fim do ano uma federação partidária com o União Brasil, partido que impulsionou aportes de governos estaduais e municipais em letras financeiras do Master e é presidido por Antonio Rueda, que também é próximo do CEO do banco preso pela PF.
Não foi a única vez em que Ciro Nogueira atuou a favor do aliado.
Em 2024, quando o BRB já estava adquirindo carteiras de crédito do Master mas antes das tratativas de compra serem formalizadas, Ciro já havia patrocinado no Senado a inclusão de um dispositivo na PEC da autonomia financeira do Banco Central que aumentaria de R$ 250 mil para R$ 1 milhão a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) para as aplicações financeiras como o CDB, principal produto do Master.
A associação com os interesses do banco foi imediata, e a proposição ganhou o apelido de “emenda Master”. Acabou rejeitada pelo relator da matéria, Plínio Valério (PSDB-AM).
A mobilização ocorreu pouco mais de um mês após a equipe da coluna revelar que a cúpula da Caixa Econômica destituiu dois gerentes que se opuseram à compra de um lote de R$ 500 milhões em letras financeiras do Banco Master, consideradas arriscadas demais para os padrões do banco.
Um parecer sigiloso da área de renda fixa da Caixa Asset, o braço de gestão de ativos da estatal, desaconselhou enfaticamente a operação, considerada “atípica” e “arriscada”, não só em razão do valor, considerado alto demais, como por causa do rating do Master. Com a repercussão do caso, a operação acabou não avançando.

EUA retiram tarifas de 40% de café, carnes e outros produtos do Brasil
Os EUA anunciaram nesta quinta-feira (21) a retirada da tarifa de 40% de alguns produtos brasileiros. A decisão foi publicada pela Casa Branca. A seleção inclui carne bovina, café, açaí, cacau e diversos outros produtos. São 249 itens que foram acrescentados à lista de exceções do tarifaço. Na semana passada, os Estados Unidos já haviam reduzido as tarifas de importação de cerca de 200 produtos alimentícios, incluindo café, carne, açaí e manga. Para o Brasil, as taxas haviam caído de 50% para 40%.
Ao contrário da ordem executiva da semana passada, que era global, a decisão de hoje se aplica somente ao Brasil. Na ordem desta quinta, Trump citou a conversa com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no início de outubro, e escreveu que a retirada das tarifas é consequência das negociações entre o governo brasileiro e o norte-americano. “Em 6 de outubro de 2025, participei de uma conversa telefônica com o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, durante a qual concordamos em iniciar negociações para abordar as preocupações identificadas no Decreto Executivo 14323. Essas negociações estão em andamento.” “Também recebi informações e recomendações adicionais de diversos funcionários […] em sua opinião, certas importações agrícolas do Brasil não deveriam mais estar sujeitas à alíquota adicional […] porque, entre outras considerações relevantes, houve progresso inicial nas negociações com o Governo do Brasil.” A decisão é válida para produtos que entraram nos Estados Unidos a partir de 13 de novembro. A retirada de taxas do café e da carne, especificamente, representam um alívio para exportadores desses protudos. Os Estados Unidos são o principal comprador de café do Brasil e respondem por cerca de 16% de tudo o que o país exporta, segundo o Ministério da Agricultura. Segundo o Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil), com o tarifaço, as importações americanas de café brasileiro caíram pela metade (51,5%) entre agosto e outubro – meses de vigência da taxa de 50% –, em relação ao mesmo período de 2024.

Anthropic Investirá US$ 50 Bilhões para Construir Data Centers nos EUA
A startup de IA Anthropic anunciou na última quarta-feira (12) que investirá US$ 50 bilhões na construção de data centers nos Estados Unidos, o mais recente aporte bilionário no setor, em meio à corrida das empresas para expandir sua infraestrutura de inteligência artificial. A empresa por trás dos modelos de IA Claude afirmou que instalará as unidades em parceria com a provedora de infraestrutura Fluidstack no Texas e em Nova York, com mais locais entrando em operação no futuro. Os data centers são construídos sob medida para a Anthropic.
Empresas de tecnologia anunciaram planos de gastos massivos este ano, com muitas delas focando na expansão de sua presença nos EUA, enquanto o presidente Donald Trump pressiona por investimentos em solo norte-americano para manter a vantagem do país no setor de IA. A Anthropic afirmou que o projeto deverá criar cerca de 800 empregos permanentes e 2.400 empregos na construção civil nos EUA, à medida que os centros de dados entrarem em operação ao longo de 2026. A empresa sediada em San Francisco, que conta com o apoio da Alphabet, controladora do Google , e da Amazon.com, foi avaliada em US$183 bilhões no início de setembro. Fundada em 2021 por um grupo de ex-funcionários da OpenAI, a Anthropic atende a mais de 300.000 clientes corporativos. Seus modelos de linguagem de grande porte Claude são amplamente considerados um dos modelos de ponta mais poderosos do mercado.

Tesla Aprova Remuneração Que Pode Tornar Musk o Primeiro Trilionário do Mundo
Na noite da quinta-feira (6), os acionistas da Tesla aprovaram um plano que pode tornar Elon Musk o primeiro trilionário do mundo. Eles votaram a favor de um plano de remuneração de quase US$ 1 trilhão (R$ 5,35 trilhões) de Musk, com 75% de apoio entre as ações com direito a voto. As principais consultorias de voto por procuração, Glass Lewis e ISS, recomendaram o voto contra. Os resultados da votação foram anunciados na quinta-feira, durante a assembleia anual de acionistas da empresa em Austin, Texas. O pacote para Musk, já a pessoa mais rica do mundo com um patrimônio de US$ 491,4 bilhões (R$ 2,63 trilhões) segundo a Forbes, consiste em 12 parcelas de ações a serem concedidas se a Tesla atingir determinadas metas na próxima década. Também daria a Musk maior poder de voto sobre a empresa, atendendo às demandas que ele tem feito publicamente desde o início de 2024. Sua participação aumentaria de cerca de 13% para 25%, adicionando mais de 423 milhões de ações às suas participações. A primeira parcela de ações será paga se a Tesla atingir uma capitalização de mercado de US$ 2 trilhões (R$ 10,7 trilhões). A capitalização de mercado atual da Tesla é de US$ 1,54 trilhão (R$ 8,24 trilhões). As próximas nove parcelas seriam concedidas se o valor da Tesla aumentar em incrementos de US$ 500 bilhões (R$ 2,67 bilhões), até um máximo de US$ 6,5 trilhões (R$ 34,78 trilhões). Musk receberia as duas últimas parcelas se o valor de mercado subir em incrementos de US$ 1 trilhão, o que significa que precisaria atingir US$ 8,5 trilhões (R$ 45,5 trilhões) para que Musk recebesse o pacote completo. “O que estamos prestes a iniciar não é apenas um novo capítulo do futuro da Tesla, mas um livro completamente novo”, disse Musk após agradecer aos acionistas pelo apoio. Outras metas vinculadas ao plano de remuneração incluem atingir 20 milhões de entregas de veículos, 10 milhões de assinaturas ativas do FSD (Full Self-Driving), 1 milhão de robôs entregues e 1 milhão de robotáxis em operação comercial. Até o momento, a Tesla entregou mais de 8 milhões de veículos, de acordo com seu relatório de procuração de setembro. O plano proposto não especifica se as assinaturas do FSD devem ser compradas ou se podem incluir testes gratuitos. Atualmente, a Tesla fornece sistemas de direção parcialmente automatizados, vendidos como “FSD Supervised” nos Estados Unidos. A empresa pretende aprimorar seus sistemas FSD Supervised para que não exijam supervisão humana a bordo. A Tesla estabeleceu uma série de metas de lucros, começando com US$ 50 bilhões (R$ 267,5 bilhões) em lucro ajustado anual e chegando a US$ 400 bilhões (R$ 2,14 trilhões). No terceiro trimestre, a Tesla reportou um EBITDA ajustado de US$ 4,2 bilhões (R$ 22,5 bilhões). Musk ainda poderia faturar dezenas de bilhões de dólares sem atingir a maioria das metas estabelecidas pelo conselho, arrecadando mais de US$ 50 bilhões apenas atingindo algumas das metas mais alcançáveis. Há também uma lista de “eventos cobertos” nos termos da premiação que permitiriam a Musk ganhar ações sem atingir os marcos operacionais exigidos. Os eventos cobertos incluem desastres naturais, guerras, pandemias e mudanças em “leis, regulamentos ou outras ações ou omissões governamentais internacionais, federais, estaduais e locais” que possam prejudicar a capacidade da empresa de projetar, fabricar ou vender seus produtos no futuro. Esperava-se que o plano fosse aprovado. Cerca de meia dúzia de pacotes de ações para executivos semelhantes — embora muito menores — foram submetidos à votação dos acionistas em empresas americanas de capital aberto nos últimos três anos, de acordo com a empresa de solicitação de procurações Georgeson. Todos, exceto um, foram aprovados. Musk também tem se envolvido bastante na política, principalmente trabalhando para levar o presidente Donald Trump de volta à Casa Branca e, em seguida, liderando um amplo esforço para cortar o governo federal no início de seu segundo mandato. Ele provavelmente também contou com o apoio de muitos investidores menores que mantiveram suas ações apesar da queda nos lucros e nas vendas de carros — e também porque a incursão de Musk na política no último ano, em apoio a Trump, alienou muitas pessoas. “Aqueles que afirmam que o plano é ‘grande demais’ ignoram a escala de ambição que historicamente definiu a trajetória da Tesla”, disse o Conselho de Administração do Estado da Flórida em um documento enviado à Securities and Exchange Commission (SEC), equivalente americano da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). No documento, o conselho descreveu por que votou a favor do plano de remuneração de Musk. “Uma empresa que passou da quase falência à liderança global em veículos elétricos e energia limpa sob estruturas semelhantes conquistou o direito de usar modelos de incentivo que recompensam o desempenho excepcional.” Além de liderar a Tesla, Musk dirige a xAI, que se fundiu com a X, lidera a SpaceX e seu negócio de internet via satélite, a Starlink, e é fundador da empresa de interface cérebro-computador Neuralink e da empresa de perfuração de túneis The Boring Company. O plano é estruturado de tal forma que, se Musk ganhar dinheiro, os investidores da empresa também ganham — um ponto que a gestora de fundos Cathie Wood destacou esta semana na plataforma de mídia social X. “Não entendo por que os investidores estão votando contra o pacote de remuneração de Elon, quando eles e seus clientes se beneficiariam enormemente se ele e sua incrível equipe atingissem metas tão ambiciosas”, escreveu Wood, diretora executiva da Ark Invest. Mas os críticos de Musk, incluindo autoridades que supervisionam fundos de pensão públicos em Nova York e na Califórnia, se opuseram veementemente ao plano, alegando que ele concentraria muita riqueza e poder corporativo nas mãos de uma única pessoa. “Isso não é pagamento por desempenho. É pagamento por poder irrestrito”, disse Thomas DiNapoli, supervisor do estado de Nova York. Até o Papa Leão XIV se manifestou, dizendo em uma entrevista ao Crux, um site de notícias católico, que a remuneração de Musk era um sintoma da crescente disparidade entre os trabalhadores e os ricos. O funcionário mediano da Tesla ganhava cerca de US$ 57 mil por ano (R$ 304,9 mil) em 2024, de acordo com um documento da empresa enviado à SEC.




