A desembargadora Solange Salgado da Silva, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), revogou a prisão preventiva de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, detido pela Polícia Federal quando tentava deixar o país. A magistrada havia mantido a prisão inicialmente, mas reconsiderou o entendimento dias depois e aplicou medidas cautelares. A atuação de Solange já havia sido alvo de investigações de grande porte durante sua passagem pela Associação dos Juízes Federais da 1ª Região (Ajufer). Em 2010, uma auditoria interna determinada pela então corregedora nacional Eliana Calmon identificou a contratação de 45 empréstimos simulados junto à Fundação Habitacional do Exército (FHE/Poupex), totalizando cerca de R$ 6 milhões. Em abril de 2011, quarenta juízes federais solicitaram abertura de investigação disciplinar ao TRF-1, afirmando que seus nomes teriam sido usados “de forma irresponsável, temerária e fraudulenta”. O então corregedor, desembargador Cândido Ribeiro, instaurou processo administrativo e registrou que os ex-presidentes da entidade — incluindo Solange — haviam assinado contratos classificados como fraudulentos. O processo disciplinar resultou na aplicação da pena de disponibilidade à magistrada. Posteriormente, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) anulou a punição por ausência de quórum qualificado, encerrando o procedimento sem alterar as conclusões das auditorias. No caso mais recente envolvendo o Banco Master, Solange Salgado primeiro manteve a prisão preventiva dos investigados, citando riscos ao andamento da investigação. Dias depois, reviu sua própria decisão e substituiu a prisão por medidas cautelares. As acusações registradas nas auditorias internas da Ajufer e nos relatórios da FHE — incluindo empréstimos simulados, contratos fraudulentos e uso indevido de dados de magistrados — permanecem documentadas como parte do histórico funcional da desembargadora.
Categoria: Judiciário

O imperador Alexandre o grande: Por que toda classe política e parte importante da sociedade ficam de joelhos para o ministro fazer o que quiser, rasgando a contituição Brasileira a todo momento?
Contexto das Decisões do Ministro Alexandre de Moraes
O Ministro Alexandre de Moraes, integrante do Supremo Tribunal Federal (STF) desde 2017, tem desempenhado um papel significativo na relação entre o judiciário e a política brasileira. Graduado em direito e com um histórico que inclui funções como secretário da Segurança Pública de São Paulo e advogado-geral da União, Moraes traz uma perspectiva que combina sua formação acadêmica com experiências práticas no campo do direito e da administração pública.
Suas decisões têm gerado ampla discussão e divisões de opinião, especialmente em um contexto político polarizado. A sua atuação em casos que envolvem figuras políticas proeminentes, como o ex-presidente Jair Bolsonaro, levanta questões sobre a independência do judiciário e os limites da ação judicial em cenários de crise. Decisões notórias do ministro, inclusive aquelas relacionadas a investigações de desinformação e atos antidemocráticos, foram vistas por alguns setores como necessárias para a salvaguarda da democracia, enquanto outros expressaram preocupações sobre a judicialização da política e a possível quebra da imparcialidade do STF.
Um exemplo claro desse dilema ocorreu quando Moraes foi responsável por autorizar operações de busca e apreensão contra aliados de Bolsonaro, fazer valer investigações relacionadas às redes sociais e coibir a disseminação de informações falsas. Tais ações, embora justificadas sob o prisma da defesa da ordem democrática, foram interpretadas por críticos como uma tentativa de silenciar vozes divergentes e potencialmente uma afronta à liberdade de expressão. O impacto dessas decisões não se limita ao âmbito jurídico, estendendo-se à percepção pública acerca da legitimidade do judiciário e da figura do próprio Moraes, que se torna um símbolo das tensões entre instituições no Brasil contemporâneo.
Análise das Alegações de Golpe e Violação da Constituição
A atuação do Ministro Alexandre de Moraes tem gerado intensos debates sobre possíveis alegações de golpe e violação da Constituição Brasileira. Críticos apontam que algumas decisões proferidas pelo ministro extrapolam os limites do poder judiciário, infringindo princípios constitucionais fundamentais, como o devido processo legal e a separação dos poderes. A análise deste cenário revela uma preocupação crescente entre juristas e especialistas sobre a manutenção do estado democrático de direito no Brasil.
Os opositores das ações de Moraes argumentam que sua postura rigorosa em relação a figuras políticas contrárias ao governo federal ressoa com um uso excessivo do poder, o que poderia ser interpretado como uma forma de repressão política. A argumentação é de que, ao direcionar investigações e impor sanções, Moraes não apenas infringe os direitos individuais dos investigados, mas também distorce o equilíbrio entre os Poderes, comprometendo a independência do Legislativo e do Executivo. Essas alegações se fundamentam na interpretação de que a Constituição deve prevalecer acima de interesses políticos e que qualquer tentativa de contenção de liberdades deve ser justificada de forma robusta e legal.
Especialistas em direito constitucional têm se posicionado em relação a essas preocupações. Alguns defendem a tese de que o papel do Supremo Tribunal Federal (STF) é essencial para garantir a ordem democrática, enquanto outros alertam sobre os riscos de uma judicialização excessiva da política. O debate sobre a legalidade e moralidade das decisões de Moraes se intensifica à medida que grupos da sociedade civil também se mobilizam, levantando questões sobre a legitimidade das intervenções do ministro. Dessa forma, o cenário político atual se torna um campo fértil para a proliferação de narrativas sobre uma possível trama golpista, evidenciando as tensões entre os direitos individuais e a segurança do Estado.
O Caso Jair Bolsonaro: Uma Investigação das Acusações
No âmbito das investigações que cercam o ex-presidente Jair Bolsonaro, é crucial analisar as alegações que têm sido levantadas contra ele, especialmente à luz das decisões do Ministro Alexandre de Moraes. As acusações variam desde a tranqüilidade na administração do governo até possíveis envolvimentos em atividades que configuram distúrbios à ordem democrática. Em meio a esse contexto, os atos de Moraes têm sido vistos como uma tentativa de garantir a investigação, gerando um debate robusto sobre seus limites e a legalidade das ações.
A primeira linha de alegações contra Bolsonaro surgiu após sua administração, durante a qual críticos apontaram que suas declarações públicas e decisões políticas poderiam incitar conflitos ou ações golpistas. A conexão entre suas falas e o clima de polarização política foi amplamente discutida. Defensores de Bolsonaro afirmam que estas são tentativas de silenciamento político e, por isso, são categorizadas como perseguições judiciais, cujo propósito seria desestabilizar sua figura política e a base de apoio. Além disso, algumas denúncias fazem alusão ao tratamento dispensado a adversários políticos, refletindo uma tensa relação entre governantes e o judiciário.
Com relação à defesa de Bolsonaro, é importante notar que, segundo seus advogados, ele sempre atuou dentro dos limites da lei e que as alegações são infundadas. Em depoimentos, políticos e juristas conferem uma perspectiva preocupante sobre como as ações judiciais estão moldando a política nacional. Eles argumentam que a utilização de instrumentos legais contra um líder político pode, na verdade, agravar as tensões no cenário eleitoral e democraticamente sensível do Brasil. Essa situação sublinha a complexidade das investigações e o impacto duradouro que as decisões judiciais podem ter na visão pública e na trajetória política do ex-presidente.
Implicações para a Democracia e o Futuro da Justiça no Brasil
A análise das decisões do Ministro Alexandre de Moraes e suas repercussões na atual conjuntura política do Brasil revela importantes implicações para a democracia e o funcionamento do sistema judiciário. As ações e determinações tomadas por Moraes, especialmente em casos de alta visibilidade relacionados ao ex-presidente Jair Bolsonaro, suscitam debates acalorados sobre a autonomia do Supremo Tribunal Federal (STF) e a preservação dos princípios democráticos. Em um contexto onde a confiança do cidadão nas instituições está em constante avaliação, é fundamental considerar como tais decisões impactam a percepção pública do judiciário.
Um dos principais riscos observados é a potencial perda de confiança nas instituições democráticas. Quando os cidadãos percebem decisões judiciais como politicamente motivadas ou tendenciosas, a legitimidade de todo o sistema judiciário pode ser questionada. Essa desconfiança pode se manifestar não apenas em retóricas antiestablishment, mas também em um aumento das tensões sociais, colocando em risco a coesão e a estabilidade da sociedade brasileira. A crise de credibilidade no STF, por vezes vista como um defensor inabalável da Constituição, pode resultar em consequências devastadoras para a democracia, levando a uma possível erosão dos direitos civis e das garantias individuais.
Além disso, é vital refletir sobre as consequências a longo prazo de uma politicização mais intensa do judiciário. Se as cortes forem percebidas como instrumentos a serviço de agendas políticas específicas, o seu papel fundamental de proteção dos direitos e garantias democráticas poderá ser comprometido. Portanto, a necessidade de reavaliar os limites da atuação do STF e estabelecer um compromisso com a imparcialidade torna-se cada vez mais urgente. A reestabelecimento de um equilíbrio saudável entre os poderes da República é essencial para a preservação da democracia no Brasil e para garantir um futuro em que a justiça seja verdadeiramente soberana, sem influências externas.

TCE multa Emanuel e abre (mais uma) investigação por rombo de R$ 228 mi
O ex-prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro (MDB), foi multado pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT) em uma investigação que apura o acúmulo de dívidas federais no valor de mais de R$ 228 milhões, decorrentes da falta de repasse de encargos como INSS, FGTS e IRRF.
A decisão é do conselheiro Valter Albano e foi publicada no Diário Oficial de Contas na quinta-feira (28). A representação foi feita pelos vereadores Demilson Nogueira (PP) e Fellipe Correa (PL).
Segundo a decisão do conselheiro, o ex-prefeito cometeu uma falha grave ao realizar o parcelamento dessas dívidas. Ele não obteve os pareceres técnicos obrigatórios da Controladoria do município, como exige a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).
A decisão determinou ainda a abertura de uma Tomada de Contas para investigar se o não repasse desses valores causou prejuízo aos cofres públicos. Além disso, a investigação visa identificar os responsáveis.
A Prefeitura terá um prazo de 30 dias para formalizar a abertura de um processo interno de investigação e até 120 dias para finalizá-la e enviar o dossiê com os resultados para o TCE.
Consequências a Emanuel
A multa aplicada na decisão de Albano a Emanuel foi de cerca de R$ 1,5 mil. Entretanto, caso seja comprovada irregularidades após a investigação, ele pode ser multado novamente e o valor pode ser maior do que a multa inicial.
Além disso, Emanuel pode ser obrigado a devolver os valores que, segundo a investigação, foram desviados ou causaram prejuízo aos cofres públicos.
O TCE pode também declarar Emanuel como inelegível, decisão que pode servir como base para o Ministério Público Estadual (MPE) entrar com uma ação por improbidade administrativa.

STF nega recurso de Emanuel e mantém a CPI das Fraudes Fiscais
O Supremo Tribunal Federal (STF) negou recurso do ex-prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro (PSD), e manteve os trabalhos da CPI das Fraudes Fiscais da Câmara Municipal.
A decisão é assinada pelo ministro Dias Toffoli e foi publicada nesta quarta-feira (15).
Este já é o terceiro revés de Emanuel na Justiça em relação ao tema. Ele teve derrotas na 4ª Vara da Fazenda Pública de Cuiabá e também no Tribunal de Justiça de Mato Grosso.
A comissão parlamentar, presidida pela vereadora Michelly Alencar (União), investiga possíveis irregularidades na gestão financeira do município durante o mandato de Emanuel (2017–2024). Também participam os vereadores Daniel Monteiro (Republicanos), como relator, e Kássio Coelho (Podemos), como membro.
No recurso, Emanuel alegou que a comissão foi instaurada de forma ilegal e genérica, sem um fato determinado que justificasse a investigação. Segundo ele, o objeto da CPI , que cita termos como “fraudes fiscais”, “desvio de recursos” e “superfaturamento” — seria amplo e impreciso, o que configuraria uma “fishing expedition”, ou seja, uma investigação aberta e sem foco definido.
O ex-prefeito também sustentou que a prorrogação dos trabalhos da CPI foi nula, já que a resolução que a estendeu foi publicada apenas em 8 de setembro de 2025, quase dois meses após o fim do prazo original, em 12 de julho. De acordo com o Regimento Interno da Câmara, publicações desse tipo devem ocorrer em até 48 horas.
Além disso, Emanuel afirmou que houve desvio de finalidade e abuso de poder, porque a CPI teria ficado paralisada por 120 dias, sem realizar audiências, oitivas ou diligências, o que violaria os princípios da eficiência e da duração razoável do processo previstos na Constituição.
Na decisão, Dias Toffoli entendeu que o pedido não poderia ser analisado pelo STF, porque o processo ainda não esgotou as instâncias ordinárias, ou seja, ainda está em trâmite no Judiciário estadual.
O ministro destacou que o Tribunal de Justiça atuou dentro da competência ao manter o indeferimento da liminar pedida por Emanuel e determinar que o caso siga para produção de provas.
Toffoli ressaltou que não há “situação excepcional” que justifique a intervenção imediata do Supremo e observou que a CPI tem, sim, um fato determinado, com limites temporais e materiais definidos (investigação de irregularidades na gestão financeira até 2024).
O ministro, também, alertou que a reclamação não pode ser usada de forma preventiva, isto é, para tentar evitar atos futuros de uma CPI e advertiu o ex-prefeito de que poderá sofrer multa processual se recorrer de forma indevida.
“Assento, assim, que o pedido formulado por Emanuel Pinheiro para que seja proferida decisão para determinar a “suspensão dos atos da CPI das Fraudes Fiscais” configura uso da reclamação com caráter preventivo, o que não se admite”, escreveu.

Lula indica Messias ao STF na vaga de Barroso, consolida opção por nomes de confiança e precisará convencer Alcolumbre
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva indicou o advogado-geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal (STF) na vaga aberta com a aposentadoria de Luís Roberto Barroso. A informação foi confirmada pelo Palácio do Planalto. “O presidente Luiz Inácio Lula da Silva indicou nesta quinta-feira, 20 de novembro, o nome do Advogado-Geral da União, Jorge Messias, para exercer o cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal, na vaga deixada pelo ex-ministro Luís Roberto Barroso. A oficialização da indicação será publicada em edição extra do Diário Oficial da União”, diz nota do Palácio do Planalto. A escolha consolida a opção por nomes de estrita confiança para a Corte, a exemplo de Cristiano Zanin e Flávio Dino, os outros nomes indicados por Lula neste terceiro mandato. Com Messias, o presidente também faz um gesto aos evangélicos, segmento no qual enfrenta mais rejeição, segundo pesquisas. Caberá ao Senado aprovar o nome de Messias. O preferido do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para a vaga era o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), com quem Lula teve uma conversa nesta semana. A preocupação com a votação cresceu depois que o procurador-geral da República, Paulo Gonet, foi reconduzido na semana passada por margem estreita — apenas quatro votos acima do mínimo necessário. Nos bastidores, líderes da base admitem que só evitaram uma derrota inédita graças a uma operação emergencial que arrancou dois votos da oposição e contou com a articulação direta de Alcolumbre para manter o quórum alto em uma semana de esvaziamento. Após perder a disputa para Flávio Dino, Messias virou o jogo, se reposicionou no grupo círculo mais próximo ao presidente e se tornou, desde o início da corrida pelo posto, o favorito para terceira escolha de Lula à Corte neste mandato. Afilhado político da ex-presidente Dilma Rousseff, Jorge Messias percorreu uma trajetória política alinhada ao PT e ao governo. Na descrição de pessoas próximas, foi a lealdade ao partido mesmo nos momentos mais difíceis, ainda que não seja filiado, e a conduta junto a Lula que o cacifaram para a vaga de Luís Roberto Barroso. Desde que retornou ao Palácio do Planalto, Lula adotou como parâmetro principal para indicações na Corte a relação de confiança e proximidade. Foram esses os fatores determinantes para Zanin e Dino. Com a indicação do advogado-geral da União, Lula nomeou cinco dos 11 titulares da Corte ao longo dos seus três mandatos: Cristiano Zanin, Flávio Dino, Cármen Lúcia e Dias Toffoli. Já testado no entorno presidencial, o traquejo político de Messias será posto à prova novamente a partir de agora, quando o ministro passará a buscar apoios no Senado para aprovação do seu nome. Ainda que o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) tenha sido o nome favorito da Casa, o governo avalia que não haverá problemas no referendo a Messias. O indicado por Lula precisa ser sabatinado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado e ter o nome aprovado pelo plenário principal da Casa. São necessários, pelo menos, 41 votos para a aprovação. Ao assumir o comando da defesa do governo federal na Corte e coordenar as estratégias jurídicas da gestão petista, Messias deu um caráter mais político à AGU e passou a integrar o grupo de ministros que ajudou a costurar soluções para os principais conflitos do governo. Enquanto advogado-geral, Messias se tornou o principal interlocutor de Lula no Supremo, com trânsito entre os 11 ministros. No final de 2023, foi um dos responsáveis por aproximar Lula e Barroso, quando o magistrado assumiu o comando da Corte. Na época, Messias e o ministro Cristiano Zanin trabalharam para que Lula e Barroso deixassem para trás as rusgas do passado. À frente da AGU, Messias também se aproximou dos ministros Nunes Marques e André Mendonça, dois indicados pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. Único ministro evangélico de Lula, Messias é visto dentro do governo como um ativo na aproximação com esse público religioso, o que inclui a participação nas Marchas para Jesus — em uma delas, chegou a ser vaiado ao citar o nome de Lula. Em setembro, conseguiu convencer Lula a dar entrevista ao podcast Papo de Crente ao lado da primeira-dama, Janja da Silva. Como principal interlocutor junto ao segmento, Messias vinha sendo escalado para estar presente em cerimônias mais importantes e receber pessoas ligadas às igrejas. O indicado de Lula à Corte frequenta a Igreja Batista Cristã em Brasília. No ano passado, foi chamado pelo PT para uma série de vídeos da Fundação Perseu Abramo, com o mote “O que pensam os evangélicos petistas”. Nos vídeos, defendeu que a laicidade do Estado é o que “garante que minha fé seja exercida com tranquilidade”. O período de maior desgaste de Messias no cargo ocorreu após ter sido preterido por Lula na disputa pela vaga de Rosa Weber em 2023. Na época, Lula chamou os dois auxiliares para anunciar que estava enviando o nome de Dino à Corte. No entorno do presidente, houve uma avaliação de que Messias reagiu mal. Ao longo do ano passado, esse comportamento irritou Lula, e aliados chegaram a afirmar que Messias não teria possibilidade de ser escolhido para uma eventual outra vaga na Corte. A escolha contrariou interesses de alas do PT e de advogados que fizeram ampla campanha favorável ao chefe da AGU. Na época, Messias chegou a se reunir com a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e em um jantar com Movimento Sem-Terra, em São Paulo, o que foi interpretado como movimentos pela vaga de Rosa Weber. Ao entrar pela segunda vez na disputa por uma vaga no STF, Messias inverteu a estratégia de 2023 e se manteve mais discreto. Manteve a agenda como ministro da AGU e evitou tratar do assunto até mesmo com auxiliares mais próximos. Pessoas próximas ao ministro viram na postura de Messias um gesto para não constranger o presidente nem afetar a relação com ele, na hipótese de uma segunda rejeição. O comportamento de Messias também envolveu o temor de ser mal interpretado e de dar qualquer sinal a Lula de que estava em campanha pela vaga. Em paralelo, Messias virou o jogo nos últimos meses ao atuar em dois dos temas mais sensíveis para o Palácio do Planalto em 2025. O ministro da AGU criou grupo de trabalho que deu solução a crise das fraudes em descontos de aposentados e pensionistas do INSS e construiu o acordo com STF e viabilizar ressarcimento dos beneficiários lesados. Também coube a Messias a contratação de um escritório de advocacia nos Estados Unidos para contestar as tarifas impostas por Donald Trump. Messias agiu ainda para reconstruir sua relação com Janja. No começo do mandato de Lula, integrou o grupo de auxiliares presidenciais que desaconselhou o petista a criar um gabinete próprio para ela, sob o argumento de que a estrutura viraria alvo da oposição e ponto de desgaste para o presidente. A postura o distanciou da primeira-dama até que Messias, em março deste ano, passou a compor um “bunker” de proteção a Janja. Na época, a primeira-dama era alvo preferencial de ataques da oposição, motivo pelo qual o governo montou um grupo informal para tentar blindá-la e oferecer uma estratégia jurídica e política. Saiu da AGU um parecer que prevê os limites da atuação do cônjuge do presidente em viagens e cerimônias nas quais represente o governo. Pessoas próximas a primeira-dama afirmam que a Janja reconheceu o gesto de Messias para proteger sua atuação. Pernambucano de Recife, Messias viveu em Teresina e há duas décadas mora em Brasília. Formado em Direito pela Faculdade de Direito do Recife (UFPE), é mestre e doutor pela Universidade de Brasília (UnB), onde pesquisou compras governamentais e a AGU. Messias chegou ao círculo mais próximo de Lula pelas mãos da ex-presidente Dilma Rousseff, do presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, e do líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA). É considerado por caciques petistas um quadro fiel ao partido e que não abandonou a legenda nem mesmo nos momentos mais difíceis. Servidor público de carreira, Messias foi procurador do Banco Central e procurador da Fazenda Nacional. Ao se envolver no movimento sindical das carreiras da AGU, atuou no Ministério da Educação, na gestão de Mercadante, onde foi secretário de Regulação. Foi nesse período que passou a se aproximar de dirigentes do PT. No governo Dilma, foi subchefe de Assuntos Jurídicos e trabalhava com a ex-presidente em um dos momentos mais delicados do PT no Palácio do Planalto. Na época, teve seu nome nacionalmente exposto por uma interceptação telefônica divulgada na Lava Jato, em uma conversa entre Lula e Dilma, em março de 2016. Na ocasião, Dilma avisou a Lula que enviaria, por meio de “Bessias”, um termo de posse para que ele assinasse e, assim, se tornasse ministro da Casa Civil. A interceptação foi captada depois que o então juiz Sergio Moro havia mandado as operadoras de telefonia interromperem as gravações, o que levou à sua divulgação ser considerada ilegal pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Dentro do governo, construiu uma relação próxima com a ministra da Gestão, Esther Dweck, e com o ministro do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira. Também tem entre seus principais aliados os ministros da Casa Civil, Rui Costa, da Fazenda, Fernando Haddad, e a ministra de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann.

Em 30 dias ministro Gilmar Mendes concedeu 21 habeas corpus para presos da operação lava-jato. Ministro passa óleo de peróba na cara e não pode por o pé nas ruas que é hostilizado.
Em pouco mais de um mês, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federa (STF), determinou, a cada dois dias, a soltura de um investigado em operações decorrentes da Lava Jato. De 15 de maio a 25 de junho, Gilmar atendeu a 23 pedidos de liberdade a suspeitos presos pela Polícia Federal por solicitação do Ministério Público e determinação da Justiça. Duas pessoas foram libertadas duas vezes. Entre elas, o ex-diretor da Desenvolvimento Rodoviário S/A (Dersa) Paulo Vieira de Souza, apontado como operador de propinas do PSDB pelo grupo de trabalho da Lava Jato em São Paulo. Ao libertar os investigados, o ministro estabeleceu medidas cautelares, como a proibição de manter contato com outros investigados e de sair do país, com a apreensão dos passaportes. Entre 15 de maio e 4 de junho, Gilmar concedeu habeas corpus a 19 pessoas que haviam sido presas em desdobramentos da Lava Jato. Todas as prisões haviam sido autorizadas pelo juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Criminal Federal do Rio de Janeiro. À época, o juiz afirmou, em ofício encaminhado ao STF, que “casos de corrupção e delitos relacionados não podem ser tratados como crimes menores, pois a gravidade de ilícitos penais não deve ser medida apenas sob o enfoque da violência física imediata”. Nessa segunda-feira (25), após audiência com investigados na Operação Unfair Play, derivada da Lava Jato, Bretas disse que não se sente frustrado pelas decisões do ministro. “Eu não me sinto frustrado. Me sinto feliz, porque o Judiciário está funcionando. Não tenho o que reclamar. É uma questão de hierarquia”, disse.





