O Banco Central decretou nesta terça-feira, 18, a liquidação extrajudicial do Banco Master, encerrando de imediato o funcionamento da instituição. A decisão, assinada pelo presidente do BC, Gabriel Galípolo, ocorre menos de 24 horas depois de o Grupo Fictor manifestar interesse em adquirir o banco, negociação que, diante do novo regime, não deve mais avançar. Pelo mesmo termo, também foi decretada a liquidação da Master S.A. Corretora de Câmbio. A EFB Regimes Especiais de Empresas foi nomeada como liquidante, com poderes amplos para conduzir a administração e a venda de ativos, bem como responder pelos atos necessários ao processo. A medida vem ao mesmo tempo em que a Polícia Federal prendeu Daniel Vorcaro, dono do Master. A PF vinha investigando o Master com informações repassadas pelo próprio BC. O que é a liquidação de um banco? Entenda situação do banco Master O que é a liquidação de um banco? A liquidação extrajudicial é um regime especial aplicado pelo Banco Central quando uma instituição financeira se mostra insolvente ou com irregularidades graves que comprometem seu funcionamento. Nessa situação, a administração do banco é afastada e um liquidante assume o controle para levantar ativos, pagar credores e encerrar operações. Durante o processo, o FGC pode ser acionado para proteger depositantes e investidores até o limite legal. O banco deixa de operar no SFN e só retoma atividades se o BC assim determinar, ou passa à falência, caso não haja condições de reestruturação. A liquidação do Master entrou no radar pelo mercado desde setembro, quando o BC negou autorização para que o BRB – Banco de Brasília comprasse a instituição. O modelo de negócios do Master vinha sendo considerado arriscado, especialmente porque o banco emitia títulos cobertos pelo FGC – Fundo Garantidor de Créditos, pagando taxas muito superiores às de mercado – prática que elevava a percepção de risco e acendeu alertas regulatórios. Segundo o jornal Valor Econômico, a intervenção do BC no Master é a maior na história do sistema financeiro. Dados do sistema IFData, do Banco Central, mostram que o Master tinha R$ 62,2 bilhões em depósitos elegíveis à cobertura do FGC em março. Com a medida, o banco é retirado do SFN – Sistema Financeiro Nacional e deixa de operar. A liquidação extrajudicial é aplicada quando se constata que a situação da instituição é irrecuperável ou quando há infrações graves às normas do sistema financeiro. A partir desse momento, cabe ao liquidante levantar e vender ativos para honrar, na medida do possível, os compromissos com credores. O processo também aciona o FGC, mecanismo de proteção a investidores e correntistas. O fundo garante o ressarcimento de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição, caso haja prejuízos aos clientes. Não há prazo definido para o encerramento da liquidação. O procedimento só se conclui com uma nova decisão do Banco Central ou, se for o caso, com a decretação de falência da instituição.
Categoria: Notícias

Desembargadora que revogou prisão de Vorcaro foi acusada de gestão fraudulenta
A desembargadora Solange Salgado da Silva, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), revogou a prisão preventiva de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, detido pela Polícia Federal quando tentava deixar o país. A magistrada havia mantido a prisão inicialmente, mas reconsiderou o entendimento dias depois e aplicou medidas cautelares. A atuação de Solange já havia sido alvo de investigações de grande porte durante sua passagem pela Associação dos Juízes Federais da 1ª Região (Ajufer). Em 2010, uma auditoria interna determinada pela então corregedora nacional Eliana Calmon identificou a contratação de 45 empréstimos simulados junto à Fundação Habitacional do Exército (FHE/Poupex), totalizando cerca de R$ 6 milhões. Em abril de 2011, quarenta juízes federais solicitaram abertura de investigação disciplinar ao TRF-1, afirmando que seus nomes teriam sido usados “de forma irresponsável, temerária e fraudulenta”. O então corregedor, desembargador Cândido Ribeiro, instaurou processo administrativo e registrou que os ex-presidentes da entidade — incluindo Solange — haviam assinado contratos classificados como fraudulentos. O processo disciplinar resultou na aplicação da pena de disponibilidade à magistrada. Posteriormente, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) anulou a punição por ausência de quórum qualificado, encerrando o procedimento sem alterar as conclusões das auditorias. No caso mais recente envolvendo o Banco Master, Solange Salgado primeiro manteve a prisão preventiva dos investigados, citando riscos ao andamento da investigação. Dias depois, reviu sua própria decisão e substituiu a prisão por medidas cautelares. As acusações registradas nas auditorias internas da Ajufer e nos relatórios da FHE — incluindo empréstimos simulados, contratos fraudulentos e uso indevido de dados de magistrados — permanecem documentadas como parte do histórico funcional da desembargadora.

Master: Pressão política sobre BC foi sem precedentes, relataram técnicos a investigadores
Ao longo da investigação que levou à prisão do CEO do Banco Master, Daniel Vorcaro e outros seis alvos na Operação Compliance Zero, técnicos do Banco Central relataram à Polícia Federal (PF) e ao Ministério Público que nunca tinham sofrido tamanha pressão política em favor de uma instituição financeira como a sofrida para tentar salvar o Master – primeiro aprovando a compra pelo BRB, vetada pelo BC em setembro, e depois para adiar a intervenção e dar chance para uma nova oferta, mesmo que inviável.
O lobby foi detalhado aos investigadores por quadros experientes da instituição, que já lidaram com várias outras tratativas e litígios no setor financeiro. Nada comparado à trama do Master, garantem. Após a deflagração das diligências da PF, o BC determinou a liquidação extrajudicial do banco de Vorcaro, que terá como consequência o maior resgate da história do FGC.
De acordo com um investigador, o decreto de liquidação do Master já estava escrito bem antes da operação da PF, mas a direção do BC só efetivou providência depois da ação para se blindar da pressão.
Como mostramos no blog ainda em julho, as irregularidades constatadas pelo BC na operação entre Master e BRB já haviam provocado um racha entre as diretorias diretamente envolvidas no caso. À época, já havia fortes indícios de que os créditos bilionários adquiridos pelo Banco de Brasília não tinham lastro.
Uma minuta de intervenção no primeiro banco chegou a ser elaborada, mas jamais se concretizou. A proposta foi costurada por Renato Gomes, diretor de Organização do Sistema Financeiro, que contava com o endosso do colega Gilneu Vivan (Regulação) – mas, de acordo com fontes ligadas ao caso, contou com a oposição do diretor de Fiscalização, Aílton Aquino.
Em paralelo, o lobby também funcionava no Congresso.
Após o anúncio da compra do Master pelo BRB no início do ano, o que surpreendeu o meio político e o mercado, senadores tentaram emplacar uma CPI Mista para apurar as circunstâncias da compra do Master pelo BRB.
O requerimento, encabeçado por Izalci Lucas (PL-DF), atingiu o mínimo de assinaturas exigido para a instalação da comissão. No entanto, o pedido foi abruptamente retirado pelo próprio parlamentar sem maiores explicações.
Izalci se limitou a dizer que propôs a criação da CPI em função de dúvidas sobre o processo de aquisição do Master que teriam sido sanadas por meio de documentos supostamente fornecidos pelos dois bancos e que levar o colegiado adiante traria “preocupação” e “instabilidade” no mercado financeiro.
“Quero aqui agradecer aos parlamentares, porque grande parte deles talvez tenha assinado também, em função da credibilidade e do conhecimento que temos da matéria. Tenho aqui já alguns relatórios, tanto do BRB como do Banco Master, e quero tranquilizar [os colegas]”, declarou durante discurso no Senado.
Como publicamos no blog, o principal articulador contra a CPI do Master foi o senador Ciro Nogueira (PI), presidente nacional do PP e aliado próximo de Vorcaro. Ciro sempre negou ter operado para derrubar a comissão.
Nos bastidores, ele é tido como líder da chamada “bancada do Master”, o que incluiria outros parlamentares alinhados aos interesses de Vorcaro. O PP deve formalizar até o fim do ano uma federação partidária com o União Brasil, partido que impulsionou aportes de governos estaduais e municipais em letras financeiras do Master e é presidido por Antonio Rueda, que também é próximo do CEO do banco preso pela PF.
Não foi a única vez em que Ciro Nogueira atuou a favor do aliado.
Em 2024, quando o BRB já estava adquirindo carteiras de crédito do Master mas antes das tratativas de compra serem formalizadas, Ciro já havia patrocinado no Senado a inclusão de um dispositivo na PEC da autonomia financeira do Banco Central que aumentaria de R$ 250 mil para R$ 1 milhão a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) para as aplicações financeiras como o CDB, principal produto do Master.
A associação com os interesses do banco foi imediata, e a proposição ganhou o apelido de “emenda Master”. Acabou rejeitada pelo relator da matéria, Plínio Valério (PSDB-AM).
A mobilização ocorreu pouco mais de um mês após a equipe da coluna revelar que a cúpula da Caixa Econômica destituiu dois gerentes que se opuseram à compra de um lote de R$ 500 milhões em letras financeiras do Banco Master, consideradas arriscadas demais para os padrões do banco.
Um parecer sigiloso da área de renda fixa da Caixa Asset, o braço de gestão de ativos da estatal, desaconselhou enfaticamente a operação, considerada “atípica” e “arriscada”, não só em razão do valor, considerado alto demais, como por causa do rating do Master. Com a repercussão do caso, a operação acabou não avançando.

“Patético”, diz Nikolas após Moraes pedir explicação sobre uso de celular
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) se pronunciou após o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), pedir explicações à defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), sobre o parlamentar ter utilizado o celular quando foi visitar o ex-chefe do Executivo.
Nikolas visitou o ex-presidente no dia 21 de novembro, quando Bolsonaro ainda cumpria prisão domiciliar. Na ocasião, segundo Moraes, o deputado utilizou o aparelho durante a visita “apesar da expressa proibição judicial”.
Em decisão de 11/11/2025, autorizei a visita do Deputado Federal Nikolas Ferreira ao réu Jair Messias Bolsonaro, à época em cumprimento de prisão domiciliar, no dia 21/11/2025, ressaltando que, todas as visitas devem observar as determinações legais e judiciais anteriormente fixadas”, disse o ministro na decisão.

Donald Trump comenta prisão de Bolsonaro: ‘Não estava sabendo. É uma pena’
O presidente americano Donald Trump falou pela primeira vez sobre a prisão de Jair Bolsonaro (PL), preso na sede da Polícia Federal de Brasília depois de tentar violar sua tornozeleira eletrônica na madrugada deste sábado, 22. Questionado pela imprensa sobre o caso, Trump disse que não tinha conhecimento da prisão do ex-presidente. “Não estava sabendo de nada disso. Foi isso o que aconteceu? Acho que é uma pena”, respondeu ele.
Até o momento, não se sabe se Trump tomará novas medidas contra o Brasil em nome de Bolsonaro. Em julho, o presidente americano impôs uma série de tarifas a produtos brasileiros alegando, entre outras coisas, que o ex-presidente estaria sofrendo uma suposta perseguição política. Ele também impôs medidas restritivas contra ministros do STF, em especial Alexandre de Moraes, com o incentivo de Eduardo Bolsonaro, que se autoexilou no pais. Nos últimos dias, no entanto, depois de conversas com o presidente Lula (PT), o líder americano retirou as taxas de uma parcela dos produtos agrícolas brasileiros, incluindo carne e café.

A pedido da PF, STF decreta prisão preventiva de Jair Bolsonaro, vergonha!
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, decretou neste sábado (22) a prisão preventiva do ex-presidente da República Jair Messias Bolsonaro. A medida, tomada no âmbito da Petição (Pet) 14129, substitui a prisão domiciliar anteriormente imposta e foi motivada por novos elementos que indicam risco concreto de fuga e ameaça à ordem pública, especialmente diante da iminência do trânsito em julgado da condenação na Ação Penal (AP) 2668. Ele deve ser recolhido na Superintendência Regional da Polícia Federal no Distrito Federal, onde passará por audiência de custódia neste domingo (23).
A decisão será submetida a referendo da Primeira Turma do STF em sessão virtual extraordinária convocada para segunda-feira (24/11), das 8h às 20h, pelo ministro Flávio Dino, presidente do colegiado.
Fundamentos da decisão
Segundo o ministro relator, a decisão baseou-se em fatos novos apresentados pela Polícia Federal, corroborados pela manifestação da Procuradoria-Geral da República, que apontam: risco iminente de fuga a partir de ocorrência de violação do equipamento de monitoramento eletrônico (tornozeleira) à 0h08min do dia 22/11, indicando tentativa de rompimento do dispositivo.
Na decisão, o relator ainda apontou a possibilidade de deslocamento para embaixadas próximas à residência, considerando que as investigações revelaram um antecedente de planejamento de pedido de asilo em representação diplomática.
Citou, ainda, recente fuga de outros réus e aliados políticos, indicando a adoção de estratégia semelhante por outros integrantes do mesmo núcleo investigado.
O ministro ressaltou tentativa de obstrução e fiscalização da prisão domiciliar a partir de convocação pública para uma vigília nas proximidades da residência de Bolsonaro, feita por parlamentar e familiar do réu, com potencial de gerar aglomeração de apoiadores e dificultar o cumprimento das medidas cautelares. Essa mobilização seria um possível meio para dificultar ações de fiscalização e permitir eventual fuga, reproduzindo estratégias anteriormente identificadas na investigação de atos antidemocráticos.
O ministro destacou ainda que Bolsonaro já havia violado medidas anteriormente impostas, incluindo o uso indevido de redes sociais e condutas que contrariavam regras da prisão domiciliar.
Garantia da ordem pública e da aplicação da lei penal
Diante da proximidade do trânsito em julgado da condenação a 27 anos e 3 meses de reclusão, o STF considerou que a manutenção da prisão domiciliar não era capaz de neutralizar o risco de manter o réu em prisão domiciliar, mesmo com o uso de monitoramento eletrônico e acompanhamento policial permanente.
Determinações complementares
A decisão determinou o cumprimento do mandado de prisão pela Polícia Federal no período da manhã do dia 22/11, sem algemas e sem exposição midiática. A audiência de custódia será por videoconferência neste domingo (23/11).
Confira as medidas determinadas:
• Atendimento médico permanente ao custodiado.
• Necessidade de autorização prévia do STF para quaisquer visitas, exceto advogados e equipe médica.
• Cancelamento das autorizações de visitas concedidas no âmbito da AP 2668.
Diante da decretação da prisão preventiva, o ministro julgou prejudicados os pedidos de concessão de prisão domiciliar humanitária e autorização de visitas formulados nesta sexta-feira (21).

TCE multa Emanuel e abre (mais uma) investigação por rombo de R$ 228 mi
O ex-prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro (MDB), foi multado pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT) em uma investigação que apura o acúmulo de dívidas federais no valor de mais de R$ 228 milhões, decorrentes da falta de repasse de encargos como INSS, FGTS e IRRF.
A decisão é do conselheiro Valter Albano e foi publicada no Diário Oficial de Contas na quinta-feira (28). A representação foi feita pelos vereadores Demilson Nogueira (PP) e Fellipe Correa (PL).
Segundo a decisão do conselheiro, o ex-prefeito cometeu uma falha grave ao realizar o parcelamento dessas dívidas. Ele não obteve os pareceres técnicos obrigatórios da Controladoria do município, como exige a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).
A decisão determinou ainda a abertura de uma Tomada de Contas para investigar se o não repasse desses valores causou prejuízo aos cofres públicos. Além disso, a investigação visa identificar os responsáveis.
A Prefeitura terá um prazo de 30 dias para formalizar a abertura de um processo interno de investigação e até 120 dias para finalizá-la e enviar o dossiê com os resultados para o TCE.
Consequências a Emanuel
A multa aplicada na decisão de Albano a Emanuel foi de cerca de R$ 1,5 mil. Entretanto, caso seja comprovada irregularidades após a investigação, ele pode ser multado novamente e o valor pode ser maior do que a multa inicial.
Além disso, Emanuel pode ser obrigado a devolver os valores que, segundo a investigação, foram desviados ou causaram prejuízo aos cofres públicos.
O TCE pode também declarar Emanuel como inelegível, decisão que pode servir como base para o Ministério Público Estadual (MPE) entrar com uma ação por improbidade administrativa.

STF nega recurso de Emanuel e mantém a CPI das Fraudes Fiscais
O Supremo Tribunal Federal (STF) negou recurso do ex-prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro (PSD), e manteve os trabalhos da CPI das Fraudes Fiscais da Câmara Municipal.
A decisão é assinada pelo ministro Dias Toffoli e foi publicada nesta quarta-feira (15).
Este já é o terceiro revés de Emanuel na Justiça em relação ao tema. Ele teve derrotas na 4ª Vara da Fazenda Pública de Cuiabá e também no Tribunal de Justiça de Mato Grosso.
A comissão parlamentar, presidida pela vereadora Michelly Alencar (União), investiga possíveis irregularidades na gestão financeira do município durante o mandato de Emanuel (2017–2024). Também participam os vereadores Daniel Monteiro (Republicanos), como relator, e Kássio Coelho (Podemos), como membro.
No recurso, Emanuel alegou que a comissão foi instaurada de forma ilegal e genérica, sem um fato determinado que justificasse a investigação. Segundo ele, o objeto da CPI , que cita termos como “fraudes fiscais”, “desvio de recursos” e “superfaturamento” — seria amplo e impreciso, o que configuraria uma “fishing expedition”, ou seja, uma investigação aberta e sem foco definido.
O ex-prefeito também sustentou que a prorrogação dos trabalhos da CPI foi nula, já que a resolução que a estendeu foi publicada apenas em 8 de setembro de 2025, quase dois meses após o fim do prazo original, em 12 de julho. De acordo com o Regimento Interno da Câmara, publicações desse tipo devem ocorrer em até 48 horas.
Além disso, Emanuel afirmou que houve desvio de finalidade e abuso de poder, porque a CPI teria ficado paralisada por 120 dias, sem realizar audiências, oitivas ou diligências, o que violaria os princípios da eficiência e da duração razoável do processo previstos na Constituição.
Na decisão, Dias Toffoli entendeu que o pedido não poderia ser analisado pelo STF, porque o processo ainda não esgotou as instâncias ordinárias, ou seja, ainda está em trâmite no Judiciário estadual.
O ministro destacou que o Tribunal de Justiça atuou dentro da competência ao manter o indeferimento da liminar pedida por Emanuel e determinar que o caso siga para produção de provas.
Toffoli ressaltou que não há “situação excepcional” que justifique a intervenção imediata do Supremo e observou que a CPI tem, sim, um fato determinado, com limites temporais e materiais definidos (investigação de irregularidades na gestão financeira até 2024).
O ministro, também, alertou que a reclamação não pode ser usada de forma preventiva, isto é, para tentar evitar atos futuros de uma CPI e advertiu o ex-prefeito de que poderá sofrer multa processual se recorrer de forma indevida.
“Assento, assim, que o pedido formulado por Emanuel Pinheiro para que seja proferida decisão para determinar a “suspensão dos atos da CPI das Fraudes Fiscais” configura uso da reclamação com caráter preventivo, o que não se admite”, escreveu.

Delegado dá voz de prisão a médico ao se consultar em Cuiabá
O delegado Pablo Carneiro, que deu voz de prisão ao médico residente (no detalhe) O delegado Pablo Carneiro, da Delegacia de Estelionatos de Cuiabá, deu voz de prisão, nesta quarta-feira (19), ao médico residente Gilmar Silvestre de Lima durante uma consulta no Hospital HBento, na Capital. Ele acusou o profissional de se passar irregularmente por anestesista. Segundo o delegado, ele havia ido à unidade de saúde para uma consulta médica pessoal, quando estranhou o fato de ser atendido por Gilmar, já que o agendamento informado a ele indicava que o atendimento seria conduzido por uma mulher. Ainda durante a consulta, conforme o delegado, o médico se apresentou, realizou o atendimento e preencheu os formulários como se fosse um anestesista, mesmo sem possuir a especialização “Ele fazia toda a anamnese [entrevista com o paciente para coleta de informações], realizava exames e assinava a ficha tanto no campo de responsabilidades quanto no campo destinado ao anestesista. Só que não carimbava”, afirmou Carneiro. Desconfiado da situação, o delegado disse que analisou o registro profissional de médico e constatou que ele não possuía especialização para se apresentar como anestesista, já que era apenas médico residente do hospital. Diante da situação, o delegado deu voz de prisão ao profissional. “Quando consultei o site do Conselho de Medicina, vi que ele não tem especialidade registrada e fui informado de que ainda está cursando a residência. Ele não poderia se apresentar, em nenhum momento, como anestesista de fato”, relatou o delegado. Gilmar é formado em Medicina pela Universidad de Aquino, em La Paz (Bolívia), com revalidação feita pela Universidade de Brasília (UnB). A apresentação como especialista sem formação é considerada irregular. Segundo o Conselho Federal de Medicina (CFM), o médico só pode se anunciar como especialista após a conclusão da residência e/ou aprovação na prova de título, conforme o Decreto Regulamentar nº 8.516/2016. O médico foi encaminhado a uma delegacia de Polícia e liberado em seguida. Já a médica que conduziria a consulta, não estava na unidade de saúde no momento da abordagem.

Lula indica Messias ao STF na vaga de Barroso, consolida opção por nomes de confiança e precisará convencer Alcolumbre
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva indicou o advogado-geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal (STF) na vaga aberta com a aposentadoria de Luís Roberto Barroso. A informação foi confirmada pelo Palácio do Planalto. “O presidente Luiz Inácio Lula da Silva indicou nesta quinta-feira, 20 de novembro, o nome do Advogado-Geral da União, Jorge Messias, para exercer o cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal, na vaga deixada pelo ex-ministro Luís Roberto Barroso. A oficialização da indicação será publicada em edição extra do Diário Oficial da União”, diz nota do Palácio do Planalto. A escolha consolida a opção por nomes de estrita confiança para a Corte, a exemplo de Cristiano Zanin e Flávio Dino, os outros nomes indicados por Lula neste terceiro mandato. Com Messias, o presidente também faz um gesto aos evangélicos, segmento no qual enfrenta mais rejeição, segundo pesquisas. Caberá ao Senado aprovar o nome de Messias. O preferido do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para a vaga era o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), com quem Lula teve uma conversa nesta semana. A preocupação com a votação cresceu depois que o procurador-geral da República, Paulo Gonet, foi reconduzido na semana passada por margem estreita — apenas quatro votos acima do mínimo necessário. Nos bastidores, líderes da base admitem que só evitaram uma derrota inédita graças a uma operação emergencial que arrancou dois votos da oposição e contou com a articulação direta de Alcolumbre para manter o quórum alto em uma semana de esvaziamento. Após perder a disputa para Flávio Dino, Messias virou o jogo, se reposicionou no grupo círculo mais próximo ao presidente e se tornou, desde o início da corrida pelo posto, o favorito para terceira escolha de Lula à Corte neste mandato. Afilhado político da ex-presidente Dilma Rousseff, Jorge Messias percorreu uma trajetória política alinhada ao PT e ao governo. Na descrição de pessoas próximas, foi a lealdade ao partido mesmo nos momentos mais difíceis, ainda que não seja filiado, e a conduta junto a Lula que o cacifaram para a vaga de Luís Roberto Barroso. Desde que retornou ao Palácio do Planalto, Lula adotou como parâmetro principal para indicações na Corte a relação de confiança e proximidade. Foram esses os fatores determinantes para Zanin e Dino. Com a indicação do advogado-geral da União, Lula nomeou cinco dos 11 titulares da Corte ao longo dos seus três mandatos: Cristiano Zanin, Flávio Dino, Cármen Lúcia e Dias Toffoli. Já testado no entorno presidencial, o traquejo político de Messias será posto à prova novamente a partir de agora, quando o ministro passará a buscar apoios no Senado para aprovação do seu nome. Ainda que o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) tenha sido o nome favorito da Casa, o governo avalia que não haverá problemas no referendo a Messias. O indicado por Lula precisa ser sabatinado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado e ter o nome aprovado pelo plenário principal da Casa. São necessários, pelo menos, 41 votos para a aprovação. Ao assumir o comando da defesa do governo federal na Corte e coordenar as estratégias jurídicas da gestão petista, Messias deu um caráter mais político à AGU e passou a integrar o grupo de ministros que ajudou a costurar soluções para os principais conflitos do governo. Enquanto advogado-geral, Messias se tornou o principal interlocutor de Lula no Supremo, com trânsito entre os 11 ministros. No final de 2023, foi um dos responsáveis por aproximar Lula e Barroso, quando o magistrado assumiu o comando da Corte. Na época, Messias e o ministro Cristiano Zanin trabalharam para que Lula e Barroso deixassem para trás as rusgas do passado. À frente da AGU, Messias também se aproximou dos ministros Nunes Marques e André Mendonça, dois indicados pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. Único ministro evangélico de Lula, Messias é visto dentro do governo como um ativo na aproximação com esse público religioso, o que inclui a participação nas Marchas para Jesus — em uma delas, chegou a ser vaiado ao citar o nome de Lula. Em setembro, conseguiu convencer Lula a dar entrevista ao podcast Papo de Crente ao lado da primeira-dama, Janja da Silva. Como principal interlocutor junto ao segmento, Messias vinha sendo escalado para estar presente em cerimônias mais importantes e receber pessoas ligadas às igrejas. O indicado de Lula à Corte frequenta a Igreja Batista Cristã em Brasília. No ano passado, foi chamado pelo PT para uma série de vídeos da Fundação Perseu Abramo, com o mote “O que pensam os evangélicos petistas”. Nos vídeos, defendeu que a laicidade do Estado é o que “garante que minha fé seja exercida com tranquilidade”. O período de maior desgaste de Messias no cargo ocorreu após ter sido preterido por Lula na disputa pela vaga de Rosa Weber em 2023. Na época, Lula chamou os dois auxiliares para anunciar que estava enviando o nome de Dino à Corte. No entorno do presidente, houve uma avaliação de que Messias reagiu mal. Ao longo do ano passado, esse comportamento irritou Lula, e aliados chegaram a afirmar que Messias não teria possibilidade de ser escolhido para uma eventual outra vaga na Corte. A escolha contrariou interesses de alas do PT e de advogados que fizeram ampla campanha favorável ao chefe da AGU. Na época, Messias chegou a se reunir com a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e em um jantar com Movimento Sem-Terra, em São Paulo, o que foi interpretado como movimentos pela vaga de Rosa Weber. Ao entrar pela segunda vez na disputa por uma vaga no STF, Messias inverteu a estratégia de 2023 e se manteve mais discreto. Manteve a agenda como ministro da AGU e evitou tratar do assunto até mesmo com auxiliares mais próximos. Pessoas próximas ao ministro viram na postura de Messias um gesto para não constranger o presidente nem afetar a relação com ele, na hipótese de uma segunda rejeição. O comportamento de Messias também envolveu o temor de ser mal interpretado e de dar qualquer sinal a Lula de que estava em campanha pela vaga. Em paralelo, Messias virou o jogo nos últimos meses ao atuar em dois dos temas mais sensíveis para o Palácio do Planalto em 2025. O ministro da AGU criou grupo de trabalho que deu solução a crise das fraudes em descontos de aposentados e pensionistas do INSS e construiu o acordo com STF e viabilizar ressarcimento dos beneficiários lesados. Também coube a Messias a contratação de um escritório de advocacia nos Estados Unidos para contestar as tarifas impostas por Donald Trump. Messias agiu ainda para reconstruir sua relação com Janja. No começo do mandato de Lula, integrou o grupo de auxiliares presidenciais que desaconselhou o petista a criar um gabinete próprio para ela, sob o argumento de que a estrutura viraria alvo da oposição e ponto de desgaste para o presidente. A postura o distanciou da primeira-dama até que Messias, em março deste ano, passou a compor um “bunker” de proteção a Janja. Na época, a primeira-dama era alvo preferencial de ataques da oposição, motivo pelo qual o governo montou um grupo informal para tentar blindá-la e oferecer uma estratégia jurídica e política. Saiu da AGU um parecer que prevê os limites da atuação do cônjuge do presidente em viagens e cerimônias nas quais represente o governo. Pessoas próximas a primeira-dama afirmam que a Janja reconheceu o gesto de Messias para proteger sua atuação. Pernambucano de Recife, Messias viveu em Teresina e há duas décadas mora em Brasília. Formado em Direito pela Faculdade de Direito do Recife (UFPE), é mestre e doutor pela Universidade de Brasília (UnB), onde pesquisou compras governamentais e a AGU. Messias chegou ao círculo mais próximo de Lula pelas mãos da ex-presidente Dilma Rousseff, do presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, e do líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA). É considerado por caciques petistas um quadro fiel ao partido e que não abandonou a legenda nem mesmo nos momentos mais difíceis. Servidor público de carreira, Messias foi procurador do Banco Central e procurador da Fazenda Nacional. Ao se envolver no movimento sindical das carreiras da AGU, atuou no Ministério da Educação, na gestão de Mercadante, onde foi secretário de Regulação. Foi nesse período que passou a se aproximar de dirigentes do PT. No governo Dilma, foi subchefe de Assuntos Jurídicos e trabalhava com a ex-presidente em um dos momentos mais delicados do PT no Palácio do Planalto. Na época, teve seu nome nacionalmente exposto por uma interceptação telefônica divulgada na Lava Jato, em uma conversa entre Lula e Dilma, em março de 2016. Na ocasião, Dilma avisou a Lula que enviaria, por meio de “Bessias”, um termo de posse para que ele assinasse e, assim, se tornasse ministro da Casa Civil. A interceptação foi captada depois que o então juiz Sergio Moro havia mandado as operadoras de telefonia interromperem as gravações, o que levou à sua divulgação ser considerada ilegal pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Dentro do governo, construiu uma relação próxima com a ministra da Gestão, Esther Dweck, e com o ministro do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira. Também tem entre seus principais aliados os ministros da Casa Civil, Rui Costa, da Fazenda, Fernando Haddad, e a ministra de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann.









